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Será que o calor em Portugal não mata?

A opinião de

Quando as ondas de calor chegaram este ano, houve entidades a emitir alertas e conselhos sobre hidratação e cuidados a ter. No entanto, foram poucas as notícias a ecoar essa sensibilização tão importante para salvar vidas, sobretudo entre os mais idosos e as pessoas mais vulneráveis.

Em 2022, Portugal registou mais de 2.400 mortes em excesso atribuídas ao calor extremo. Em 2023, o calor provocou cerca de 1.400 mortes no país. Este ano, em apenas quatro dias, entre 30 de junho e 4 de julho, foram contabilizadas 227 mortes em excesso. Estes dados deviam bastar para se perceber que esta é uma das principais causas de morte em Portugal, motivo que por si só deveria merecer uma reflexão nacional com o objetivo de envolver entidades e especialistas para apresentarem medidas que salvem vidas no futuro.

Em Espanha, as autoridades estão a rever o plano nacional de ondas de calor após quase 4.000 mortes registadas em junho. Países como França encerraram temporariamente escolas e restringiram atividades ao ar livre durante as horas de maior calor, enquanto a Grécia impôs paragens obrigatórias no trabalho ao ar livre e fechou monumentos como a Acrópole durante os períodos mais quentes do dia. Estas medidas demonstram um compromisso crescente com a proteção da saúde pública face às temperaturas extremas e uma resposta eficaz ao impacto negativo das alterações climáticas.

A verdade, porém, é que a cobertura deste tema não tem despertado interesse mediático, com pouco ou nenhum espaço nos noticiários, poucos títulos nos jornais, quase nenhum destaque. E questiono-me se a comunicação social não estará a esquecer-se da sua missão nestes contextos. Mas não é só isso, em Portugal, há muito que nos habituámos às, também necessárias, campanhas de prevenção rodoviária. Mas, porque é que não se assume também como prioridade a prevenção em alturas de elevado calor e se fazem campanhas? Porque não se informam os cidadãos com os mesmos mecanismos utilizados aquando do risco de incêndios, da aproximação de tempestades, cheias ou apagões?

A responsabilidade de informar é, nestas situações excepcionais, responsabilidade social de todos e com a nossa comunidade. Porque não basta às autoridades emitirem comunicados [ver aqui recomendações do SNS], é preciso garantir que a mensagem chega a quem mais precisa, em linguagem simples, repetida, nos canais certos. E aqui, a comunicação social tem um papel insubstituível de amplificação da mensagem que importa realçar.

Informar sobre como proteger a saúde, dar conselhos sobre hidratação, quando o calor aperta, não é apenas serviço público. É salvar vidas. E merece muito mais tempo de antena do que tem tido.

Este tema merece o empenho dos governos, autarquias, direção geral da saúde, proteção civil, Águas de Portugal, serviços municipalizados de água, comunicação social nacional, regional e local.

Trabalharem em conjunto com esta missão e objetivo significa salvar vidas, com um simples gesto: beber água, procurar ambientes frescos e evitar atividades que exijam esforço físico no exterior.

 

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