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Os problemas que afetaram o serviço informático do SNS, que levaram ao cancelamento de consultas e processamento de receitas na última semana ainda persistem em algumas unidades de saúde.
Vários profissionais relataram, aos 24notícias, falhas significativas no sistema ao longo dos últimos dias, incluindo uma interrupção que terá durado pelo menos meia hora na segunda-feira, seguida de um funcionamento lento durante o resto do dia. Já hoje, os problemas têm sido recorrentes e afetam sobretudo a estabilidade das plataformas digitais usadas no atendimento clínico, segundo reportaram ao 24notícias unidades de saúde de Rio Maior e ainda da região de Viseu.
De acordo com estas fontes, o sistema de registos clínicos entrou em falha após uma recuperação parcial de serviços, com impactos também no módulo de receitas eletrónicas. “O sistema de registos está lento desde sexta”, refere uma das fontes, acrescentando que “o sistema de receitas funcionava, mas deixou de funcionar quando voltou o dos registos clínicos”.
Os constrangimentos terão afetado a emissão de receitas e o acesso a exames, levando a atrasos na atividade clínica. Em alguns momentos, os profissionais descrevem mesmo uma “interrupção em cadeia”, com a falha de um módulo a comprometer outros componentes do sistema.
Estes episódios inserem-se num contexto mais amplo de instabilidade tecnológica em plataformas do SNS, que têm sido alvo de críticas por parte de profissionais de saúde devido à sua lentidão e falhas intermitentes, especialmente em períodos de maior pressão assistencial.
Apesar de tentativas de estabilização, os problemas continuam a afetar a fluidez dos processos administrativos e clínicos, com impacto direto no trabalho das equipas e no atendimento aos utentes. Até ao momento, não foi divulgada qualquer explicação oficial detalhada sobre as causas das recentes falhas, sendo que em contacto com o SNS, este serviço reconheceu a “existência de alguns problemas, que têm sido resolvidos nos últimos dias”, mas que a “grande maioria está operacional”.
O problema não é a falha, “é a previsibilidade da falha”
Entretanto, estes incidentes informático, para a Iniciativa Cidadãos pela Cibersegurança (CpC), não podem ser reduzidos a uma “falha de energia” isolada. Em infraestruturas críticas, como centros de dados de saúde, “existem várias camadas de redundância obrigatórias, UPS, geradores e centros de contingência, que deveriam impedir precisamente este tipo de colapso”. “O facto de o sistema ter caído globalmente durante tantas horas levanta dúvidas sobre a sua existência, dimensionamento ou funcionamento”, dizem.
A CpC critica ainda a “falta de transparência sobre o que falhou concretamente e sobre a existência de um plano de continuidade operacional efetivo”. “A resposta institucional, limitada a comunicações genéricas, não esclarece se foram ativados mecanismos de redundância nem se as obrigações legais de reporte e gestão de incidentes foram cumpridas”, analisam.
De acordo com a CpC, o caso “volta a expor a fragilidade estrutural da infraestrutura digital do SNS”, já sob pressão após incidentes recentes de cibersegurança. “O problema não é apenas a falha em si, mas a ausência de evidência pública de que o sistema está preparado para resistir a falhas previsíveis numa infraestrutura classificada como crítica”, concluem.
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