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Tem sido amplamente referido que as pessoas LGBTQIA+ apresentam uma maior probabilidade e um maior risco de desenvolver algum tipo de perturbação mental ao longo das suas vidas. Estigma. Preconceito. Estereótipos. Existem inúmeros desafios que são enfrentados por esta população todos os dias. O impacto da discriminação e do estigma social podem gerar sofrimento psicológico acentuado, o que leva a este risco superior de desenvolver um problema de saúde mental. Criar um ambiente seguro, inclusivo e respeitador (leia-se afirmativo) dos direitos LGBTQIA+ é fulcral para mitigar, ou até mesmo eliminar, essa vulnerabilidade acrescida.
O acesso aos cuidados de saúde é, frequentemente, mencionado como um dos maiores desafios da atualidade, devido às necessidades específicas das pessoas LGBTQIA+ que podem não ser atendidas de forma ética. A investigação tem apontado vários factores que protegem a comunidade LGBTQIA+, é de destacar:
- Boas práticas clínicas, que incluem um ambiente livre de preconceito e um espaço terapêutico que valide a identidade de género e/ou orientação sexual da pessoa; ● Apoio familiar e social, ou seja, a perceção de apoio sentida por parte da família ou outras relações significativas;
- Relação positiva com a própria identidade, sendo que a homofobia e a transfobia internalizadas (preconceito face à própria orientação sexual e/ou identidade de género) estão fortemente associadas a um maior nível de sofrimento psicológico;
- Representatividade positiva, que é, mais concretamente, ver outras pessoas LGBTQIA+ (seja nos media ou na vida real) a existirem de forma livre, diversa e a serem tratadas com respeito. Isto fomenta a esperança e reduz o isolamento.
Se pensarmos que só em 1990 é que a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde, podemos perceber como isto influenciou e legitimou práticas nocivas por parte de profissionais de saúde. Milhões de pessoas LGBTQIA+ foram internadas, violentadas e forçadas a “curas” inconcebíveis. Um atentado à sua dignidade.
A ciência não é neutra, ao lidar com vidas humanas tem de ser ética. As vivências das pessoas LGBTQIA+ foram, durante demasiado tempo, apagadas e silenciadas. A ciência foi cúmplice. Hoje, continua a ser essencial escrever sobre a História, para que não volte a acontecer.
Voltando à questão das boas práticas clínicas, é primordial refletir sobre como combater a invisibilidade das pessoas LGBTQIA+. Um exemplo prático: não assumir ou pressupor a identidade de género de alguém. Fora do contexto clínico também se torna fundamental combater a invisibilidade, uma pessoa “vista” é uma pessoa que estará menos propensa ao stress gerado por pertencer a um grupo minoritário.
Contribuir para que as pessoas LGBTQIA+ se sintam seguras, acolhidas, valorizadas, compreendidas, vistas e livres para serem quem são é uma missão colectiva. Numa era onde o discurso de ódio tem vindo a aumentar, é cada vez mais importante recordar as ameaças reais à saúde mental da população LGBTQIA+. Não é ser uma pessoa LGBTQIA+ que torna alguém mais suscetível a uma perturbação mental, é a forma como a sociedade (ainda) olha para esta comunidade.
Gostaria de terminar citando diretamente José Saramago: “Eu sou contra a tolerância, porque ela não basta. Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro.”
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