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Já é Natal, não é?

Este artigo tem mais de 9 anos

A opinião de

Querido Pai Natal: Dado que hoje é o primeiro dia de Dezembro e ninguém liga ao que acontece no Mundo, aproveito a distracção geral (… e das editoras do SAPO24) e abuso deste espaço para te escrever, poupando selos e a forte possibilidade de, por correio tradicional, só receberes esta carta lá para Janeiro do…

Ora, eu acho que me portei bem este ano. Cumpri (quase) todas as obrigações que tinha, não falhei no trabalho, tentei ser bom namorado para quem quis namorar comigo, ajudei o meu filho nos seus projectos, dúvidas e trabalhos, e até resolvi os problemas informáticos da minha mãe.

Dito isto, venho então entregar-te uma listinha de cinco presentes que desejo para 2017. Deixei de fora os pedidos pessoais, que esses mando-te pelo WhatsApp mais em cima da hora, porque já sei que essas barbas brancas escondem uma memória pouco melhor que a minha. Também deixei de fora os pedidos óbvios, porque todos queremos saúde e família e amigos – e tu já sabes. Tentei um conjunto mais ou menos equilibrado de presentes que, sem preço ou mesmo impossíveis de comprar, só ao teu alcance podem estar. Cá vão…

Um. Um cheque-viagem, em versão looping, para Donald Trump se entreter nos próximos quatro anos a dar a volta consecutiva ao Mundo. Com direito a passeios na selva amazónica, na enorme savana africana, mergulhos no mar australiano, uma coisa mesmo com jeito. Como diz um amigo meu, “bem caprichadinho”.

Dois. Um convite a José Sócrates para a próxima edição da Casa dos Segredos. Três vantagens imediatas: recuperava audiências ao programa de que, pelos vistos, os portugueses se fartaram; deixava o senhor simultaneamente entretido e com protagonismo, coisas de que precisa como pão para a boca; e, acima de tudo, mantinha-se higienicamente longe da nossa vida política. Porque, acreditem, ele não vai desistir…

Três. Um programa televisivo de debate semanal entre Manuel Maria Carrilho, Bruno de Carvalho, Duarte Lima e José Sócrates. Basta imaginar o que poderia constituir.

Quatro. Um “voucher” em nome de Fernando Medina que lhe daria acesso a um apartamento no Saldanha, em Lisboa, durante um mês. Tinha uma pequena condição: ele seria obrigado a viver mesmo ali, usar e conduzir carro, ou em alternativa transportes públicos, e estava impedido de usufruir de qualquer mordomia resultante do seu cargo. Só para ver como elas doem a quem vive na cidade nos dias que correm. No fim, eu fazia-lhe uma entrevista sem “ses” nem “mas”. Era o acordo.

Cinco. Um desses suportes moderninhos que nos transportam para a realidade virtual. Precisava de umas centenas de milhares desses aparelhos, programados para recuar no tempo 75 anos. Oferecia cada um deles a um eleitor da cada vez mais popular direita europeia – e remetia o presenteado à primeira metade dos anos 40 (também podia ser a segunda metade dos anos 30). Gostava que todos aqueles que agora falam de alto e de cor de emigração, de emprego, de nacionalismos, sentissem na pele o que isso já foi e no que deu.

Com estes cinco presentes, querido Pai Natal, tenho a certeza de que 2017 seria, pelo menos, um ano mais divertido. Ou mais claro. Já não seria mau.

E o fim do ano continua vindo…

É um clássico das edições anuais que elegem Figuras do Ano: na semana que vem, dia 7, saberemos qual foi a escolha dos editores da revista norte-americana Time. Mas, entretanto, eles pedem a colaboração dos leitores, que podem fazer as suas escolhas, desde que sejam subscritores (gratuitos) da Newsletter da revista. Tudo claro aqui.

Já está à venda entre nós a edição especial da revista Wired, de antevisão de 2017 nas áreas da tecnologia e das tendências. Considerada uma bíblia deste sector, e inteligentemente pensada para juntar inovação e negócio, tem obviamente uma excelente edição digital – mas neste caso, com aquele aparato “colector’s edition”, talvez mereça os 10 euros que custa em papel…

Por falar em revistas: já se vende em Portugal – mas também está integralmente na net – a “Solar”, revista espanhola semestral independente sobre arte, moda, design, viagens, música e cultura. 300 páginas que não perdem em expressão na passagem pela rede e surpreendem nas ideias e na criatividade.

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