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Homem processa mulher por não querer ser mais do que sua amiga

Este artigo tem mais de 3 anos

Um executivo de Singapura pede uma indemnização superior a 2 milhões de euros, alegando a necessidade de reabilitação e acompanhamento terapêutico após trauma por rejeição. O caso está a ser acompanhado de perto por grupos que lutam pela igualdade de género.

Há várias formas, mais ou menos saudáveis, de ultrapassar uma rejeição, em Singapura um caso, que podia ser só um de expectativas diferentes, deu origem a um processo em tribunal. Em causa está a “ excelente reputação” de K Kawshingan que terá ficado manchada após Tan não ver nele “mais que um amigo”.

Nasceu assim um mediático e insólito caso por difamação, que irá a tribunal na próxima semana. Segundo o The Guardian é pedida uma indemnização para cobrir os custos e as perdas morais após a “traumática” rejeição. Kawshingan acusa a mulher de “comentários difamatórios e conduta negligente” e, por isso, pede que lhe sejam ressarcidos os custos da reabilitação e terapia. Mas também as oportunidades que perdeu por não ter capacidades para desenvolver negócios.

Contudo este já não é o primeiro processo que os envolve. A vida dos dois cruzou-se em 2016, mas a definição da sua relação só viria a dar problemas em 2020. Da parte de Kawshingan, Tan seria a sua “amiga mais próxima”. Para Tan, o homem era “apenas um amigo”. Perante esta discórdia a mulher começa um processo de afastamento, encorajando o amigo a ser mais “independente”. Kawashingon responde com uma ameaça: não a processaria se Tan aceitasse participar em sessões de terapia conjunta. Após 18 meses de terapia, e do avolumar da toxicidade e das investidas, Tan corta relações com o então “apenas amigo”. Kawshingan cumpre a promessa de a processar, mas perde o caso em que pedia a Tan mais de 20 mil euros por ter quebrado o acordo de “trabalhar no futuro da relação”.

Este caso tem levantado algumas questões no que diz respeito ao papel das mulheres, e aquilo que é esperado delas. Principalmente depois do veredicto do primeiro caso, em que o Tribunal considerou que o homem apenas tinha o objetivo de “incomodar e oprimir” Tan.

A “Aware”, um grupo pela igualdade de género, tem sido bastante vocal no acompanhamento deste caso. Lembrando que este processo inverte os papéis da vítima e do agressor, o que configura aliás uma “tática comum dos agressores”. Acrescenta ainda que é “alarmante” que os registos do tribunal mostrem que há a ideia de que “as mulheres devem aos homens a sua atenção”.

Singapura está em 49º lugar no ranking do “Global Gender Gap” do Fórum Económico Mundial, embora seja o segundo país asiático com maior igualdade entre géneros.

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