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Para os cidadãos da NATO ciberataques devem ser considerados atos de guerra

Uma nova sondagem indica que a opinião pública nos países da NATO defende uma resposta muito mais firme aos ciberataques do que aquela que os governos têm adotado até agora.

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Uma sondagem do Politico, realizada pela empresa britânica Public First nos Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, mostra que a maioria dos cidadãos considera que ataques informáticos contra infraestruturas críticas, como hospitais ou redes elétricas, devem ser classificados como atos de guerra. No Canadá, 73% dos inquiridos concordam com essa posição, sendo o país onde a perceção é mais forte. Também existe apoio expressivo à ideia de que sabotagens a cabos submarinos ou oleodutos, que se tornaram mais frequentes nos últimos anos, devem ser tratadas como atos de guerra.

Apesar desta posição clara da opinião pública, a NATO mantém uma abordagem cautelosa. Desde 2014 que a Aliança admite que um ciberataque pode acionar o Artigo 5.º (cláusula de defesa mútua), mas continua por definir que nível de gravidade justificaria essa resposta coletiva. Um responsável da organização já admitiu que a reação poderia variar entre sanções diplomáticas e económicas, medidas cibernéticas ou até força militar convencional, dependendo da natureza do ataque.

Nos últimos anos, hackers apoiados por Estados, frequentemente associados à Rússia, têm intensificado ataques a infraestruturas críticas. Entre os casos referidos estão o ataque de ransomware em 2024 à Change Healthcare, nos EUA, que expôs dados de mais de 190 milhões de pessoas, e um ataque ao Serviço Nacional de Saúde britânico que terá contribuído para a morte de um paciente. Em 2022, o FBI acusou hackers ligados ao Irão de tentarem infiltrar-se no sistema do Hospital Infantil de Boston.

A perceção da Rússia como principal ameaça varia entre países: a maioria dos inquiridos na Alemanha, França e Reino Unido considera Moscovo o maior risco para a paz, enquanto nos EUA (39%) e no Canadá (29%) essa visão é menos predominante.

Já no caso de ações digitais de menor escala, o consenso é mais fraco. Menos de metade dos inquiridos considera que divulgar conversas privadas de líderes políticos seja um ato de guerra, e ainda menos classificam campanhas de desinformação eleitoral dessa forma.

Ainda assim, há um entendimento transversal de que os governos devem reforçar a cibersegurança e integrar capacidades digitais e de inteligência artificial nas estratégias de defesa. Pelo menos um terço dos inquiridos em cada país defende que a proteção contra ciberataques deve estar entre as principais prioridades de investimento militar.

Enquanto isso, os Estados Unidos sinalizam uma postura mais ofensiva no ciberespaço e preparam uma nova estratégia nacional menos “reativa”. Na Alemanha, o governo está a preparar uma revisão dos poderes dos serviços de informações e de cibersegurança para responder de forma mais robusta a hackers e espionagem estrangeira.

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