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Maria de Jesus Moura: “Temos de ouvir as crianças com cancro”

Este artigo tem mais de 2 anos

Autora do livro “Cancro Pediátrico – Desafios para os Pais”, desde 1993 que Maria de Jesus Moura trabalha na Unidade de Psicologia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, explica o quão complexo é comunicar com famílias que enfrentam este tipo de crise. “Os desafios dos pais…

Licenciada em Psicologia Clínica, Mestre em Psicopatologia e Psicologia Clínica e Doutoranda em Psicologia da Saúde, é ainda co-autora do livro “O Amor Dentro do Meu Peito: O Cancro de Mama na Mulher e na Família”. Conta ela que quando começou a trabalhar em Oncologia Pediátrica os resultados para o tratamento para uma leucemia standard era na ordem dos 70 e poucos por cento, hoje estamos no 82%. “Há um conjunto de pessoas que vivem este processo com características similares, mas que têm necessidades e desafios específicos. Cada vez que estamos em contacto com estas famílias, temos algo para dar, o nosso conhecimento e experiência, da voz de outros pais e de outras crianças que passaram pelo mesmo e que possa dar luz num momento destes”.

“O crescimento pós-traumático é uma área que me interessa muito. É pensarmos na capacidade das pessoas de se reorganizarem, capacitarem, renovarem. Todos estamos programados para a sobrevivência. Nas situações mais simples, esquecemo-nos disso. Estamos programados para a sobrevivência e os recursos psicológicos que usamos são a redefinição de objetivos, redefinir prioridades. E, muitas vezes, o que é essencial para o doente oncológico pode não ser para as outras pessoas”, explana Maria de Jesus Moura, nesta conversa com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto.

A convida também não tem dúvidas que o cancro pediátrico afeta toda a família e que é um momento de redefinição. Como psicóloga, pergunta-se: “Como podemos respeitar? Quais são as necessidades específicas destas pessoas? É preciso ter muito respeito pela dignidade humana e pela dimensão do sofrimento”. E deixa a ressalva: “A pessoa é muito mais do que uma pessoa doente, tem uma história de vida com passado, com presente e com projetos futuros”.

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