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Marcolino Moco: Angola é um país em que se “consolidou a corrupção”

Este artigo tem mais de 9 anos

O antigo-primeiro ministro angolano fez várias acusações em relação ao momento político que se vive em Angola, apontando o dedo a José Eduardo dos Santos por concentrar em si todos os poderes, inclusive o controlo da comunicação social. Marcolino Moco diz que, nos dias de hoje, o essencial para Angola “é estabilizar o regime democrático”.

Em entrevista à DW África, a estação africana da rádio pública alemã, Marcolino Moco, antigo primeiro-ministro angolano, abordou o momento de transição política vivido em Angola com a campanha eleitoral para as presidenciais.

“O problema de Angola, hoje, é estabilizar o regime democrático”, disse, acrescentando que neste momento o país vive “afunilado” pela figura de José Eduardo dos Santos”. “Tudo é decidido pela Presidência da República”, afirma.

Marcolino Moco considera que a retirada das funções de maior importância da Assembleia Nacional foi “um escândalo”.“O Presidente da República não responde perante nada, não sofre pressões na Assembleia Nacional, onde há uma maioria muito forte do MPLA, que é dominado por si. Inclusive, o Tribunal Constitucional decidiu que o Parlamento não pode interpelar um membro do Governo, que qualquer problema que seja detetado não pode constituir comissões de inquérito”.

O antigo primeiro-ministro acusa ainda a comunicação social de ser controlada pelo Presidente ta República, revelando que “há mesmo um departamento na Presidência da República para controlar os meios de comunicação como se estivéssemos num regime ‘salazarista’”.

“Foram esses mecanismos que fizeram com que o país não pudesse desenvolver-se”,lamenta Moco.

O antigo dirigente do MPLA diz que Angola é um país em que se “consolidou a corrupção” e em que “o transporte do dinheiro para fora do país é uma coisa habitual”, o que faz com que “num país rico haja tanta pobreza”

“É isso que cria todos esses problemas”, disse ainda Marcolino Mouco.

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