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“Gostava de ser suavemente esquecido”. Perguntas rápidas a Paulo Rangel

Este artigo tem mais de 7 anos

Pessoais, diretas e sem ordem definida. Questionámos os cabeças-de-lista nacionais às eleições no Parlamento Europeu, que decorrem este domingo, 26 de maio, sobre temas fora da agenda política. Se fosse um herói de ficção, Paulo Rangel, candidato do PSD, seria o Spirou.

O que faziam os seus pais?

O meu pai era profissional de seguros. A minha mãe era dona de casa, embora recomendasse sempre às outras pessoas que o não fossem, porque achava que era redutor do estatuto da mulher.

Quem são os seus amigos?

Tenho muitos amigos. Em geral são pessoas de fora da política, mulheres e homens, uns que estiveram comigo na primária, outros que foram meus vizinhos, outros que fizeram comigo o secundário ou a universidade e um ou outro que conheci já no exercício profissional. São amigos íntimos, não são pessoas públicas: Pedro Magalhães, Nicolau Freitas, Mónica Azevedo, Pedro Azevedo, Paulo Santos Carvalho…

Qual o seu maior medo?

[Pausa] Nunca pensei… Mas não sou muito de grandes medos.

O seu pior defeito?

Talvez alguma teimosia.

A pessoa que mais admira?

A pessoa que mais admiro, e também de quem mais gosto, é a minha mãe, poderia dizer. Mas penso que nesta resposta se espera alguém de fora e poderia usar vários critérios, mas alguém vivo e personalidade pública, talvez o professor Gomes Canotilho. Ou Lucas Pires, que já morreu, ou Manuela Ferreira Leite, que admiro imenso. E também poderia falar de amigos, porque admiro dois ou três – não é que goste mais deles do que doutros, gostamos dos amigos com os defeitos que têm, mas estes são pessoas mais completas.

A sua principal qualidade?

Acho que a convicção.

Qual a maior extravagância que alguma vez fez?

Não sei. Fiz várias… Há uma coisa que faço muito: férias de carro, longas viagens. O meu sonho é fazer Porto-Moscovo, uma viagem a que chamo “a Europa de costa a costa”.

Qual o seu filme de eleição?

É muito difícil responder. Há um filme que me marcou muito e que vi muitas vezes, mas que é um clássico: “O Mundo a seus Pés”. Porque sim e porque representa a entrada no novo mundo, com aquela frase final: “RoseBud”, que me marcou sempre. Cada vez que revejo, vejo de um ângulo diferente, há ali muitas coisas que mexem comigo.

Que traço de perfil é preciso ter para trabalhar consigo?

Paciência. E tem de ser uma pessoa dedicada e disponível.

Uma qualidade que para si seja sobrevalorizada?

A inteligência e a beleza.

Mente?

[Sorri] Procuro não mentir.

O que o faz perder a cabeça?

Há várias coisas, mas há uma que detesto: pessoas que amuam. Quando tenho um problema gosto de o discutir e detesto as pessoas que entram em blackout em vez de verbalizar a sua insatisfação e de a discutir. Entram numa espécie de resistência passiva e ficam, por exemplo, dias e dias a trabalhar ou a conviver de modo formal e lacónico. Isso desespera-me.

O que o deixa feliz?

A humanidade das pessoas, um gesto de desprendimento, a entrega ao outro.

Se pudesse, o que mudaria imediatamente na Europa?

Há tanta coisa para mudar… Algo que tivesse um efeito multiplicador. Mudava a linguagem, que é muito tecnocrática, demasiado distante e codificada.

Se fosse uma personagem de ficção, quem seria?

Vou dizer uma coisa um bocadinho estranha, porque não é muito inspirador e é até um pouco extravagante, mas seria o Spirou. Tem uns laivos de Fantásio e outros de Astérix ou de Tintin.

Como gostava de ser lembrado?

Gostava de ser suavemente esquecido.

O melhor presidente de sempre?

[Abraham] Lincoln.

Quem não tem direito a uma segunda oportunidade?

Toda a gente tem direito a uma segunda oportunidade.

Qual a pior profissão do mundo?

O desemprego.

Se fosse um animal, que animal seria?

O marsupilami, do Spirou.

Pode contar uma anedota sobre políticos?

Conheço muitas, rio-me imenso, mas nunca me recordo de anedotas.


Esta série de perguntas rápidas faz parte da entrevista ao cabeça de lista do PSD às Eleições Europeias, disponível aqui. Paulo Rangel não foi o único, leia todas as conversas com os candidatos no especial Europa 2019 do SAPO24.

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