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Brasil cria observatório sobre violência racista contra refugiados

Este artigo tem mais de 3 anos

O ministro da Justiça brasileiro, Flávio Dino anunciou hoje a criação de um Observatório da Violência contra os Refugiados, que nos últimos anos têm sido vítimas de vários ataques, na sua maioria de natureza racista.

Este mecanismo irá monitorizar estes atos de violência e contribuir para a intenção do Governo de “implementar uma verdadeira cultura de paz e direitos humanos” e assegurar que prevaleça a “verdadeira justiça”, disse Flávio Dino, em conferência de imprensa.

De acordo com números oficiais, o Brasil acolhe atualmente cerca de 75.000 refugiados, 70% dos quais chegaram da Venezuela.

Cerca de 5,1% provêm da Síria e os restantes são maioritariamente de países africanos: Senegal (4,3%), Angola (2,9%) e República Democrática do Congo (2,2%).

Os afrodescendentes, segundo a presidente da Comissão Nacional para os Refugiados, Sheila de Carvalho, têm sido vítimas de ataques racistas nos últimos anos, promovidos em muitos casos por grupos de extrema-direita.

Um deles foi o congolês Moïse Kabagambe, espancado até à morte aos 24 anos no Rio de Janeiro há um ano, por um grupo de homens que reagiu violentamente quando exigiu o pagamento de uma dívida laboral num bar onde trabalhava.

Em sua memória, o Observatório da Violência contra os Refugiados recebeu o seu nome, de modo que, segundo Flávio Dino, este crime, pelo qual três pessoas foram detidas e ainda não foram julgadas, “não fica impune” ou seja “esquecido”.

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