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AIMA vai perder 100 funcionários e há cerca de 20 mil pedidos de residência por mês

Este artigo tem mais de 2 anos

A agência que substituiu o SEF enfrenta um cenário de falta de trabalhadores, ao passo que os pedidos de residência de imigrantes já ascendem aos 20 mil por mês. Governo apresenta plano para as migrações na próxima semana.

A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) encontra-se perante uma situação cada vez mais complicada. A instituição, que substituiu o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), afirma-o no relatório da Recuperação das Pendências do SEF, acedido pelo Expresso.

De acordo com as informações recolhidas pelo semanário, a AIMA iniciou funções em outubro de 2023 com apenas 714 funcionários. No entanto, desde então, verificou-se “uma redução líquida do total de efetivos, devido à saída de vários trabalhadores, não compensada com as entradas entretanto ocorridas”.

A situação da AIMA, sublinha o Expresso, até podia ser pior, já que muitos dos efetivos alocados à agência em outubro de 2023 “pediram logo transferência para outros serviços do Estado, mas a AIMA travou-os”. “Só que não vai poder fazê-lo uma segunda vez. A maioria voltou a submeter o pedido e agora a lei não permite nova recusa. Vão sair em breve”, afirma uma fonte ao jornal. A própria agência estima que a saída possa chegar aos 100 trabalhadores.

Este cenário de escassez de funcionários ocorre ao mesmo tempo que o número de pedidos de residência de imigrantes continua a avolumar-se, muitos deles a arrastar-se desde os tempos do SEF. O mesmo relatório afirma que existiam 459.384 processos em curso a 29 de outubro de 2023, sendo que 344.619 são pedidos de legalização através de manifestações de interesse.

Na manifestação de interesse, os imigrantes podem referir que estão à procura de trabalho e é esse recurso que está a motivar o grande afluxo de processos nas autoridades portuguesas, sendo que no mês de maio a PSP chegou a ser chamada às dependências da AIMA em Lisboa e no Porto tal era a quantidade de pessoas no local à espera de serem atendidas.

O Expresso adianta, recorrendo a várias fontes não identificadas, que as manifestações de interesse já vão “muito além do meio milhão”, estando a entrar mais de 20 mil novos pedidos por mês. Ao todo, somando-se as pendências aos novos pedidos que dão entrada e aos “outros pedidos, do reagrupamento, dos vistos gold, dos estudantes, até acho conservador falar em 600 mil pendências”, afirma uma das fontes.

O Governo anunciou na semana passada que vai rever o modelo institucional de fiscalização dos imigrantes, considerando uma “asneira” o modo como a AIMA substituiu o SEF. O plano da AIMA é acabar com as pendências até junho de 2025, mas o atual executivo de Luís Montenegro nem sequer se compromete com a continuidade desta agência.

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