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Desespero e lentidão, os Doldrums cobram portagem

Este artigo tem mais de 8 anos

A frota da Volvo Ocean Race enfrenta mais 48 horas de desespero, com as equipas a atravessar uma enorme extensão de mar sem vento.

Diante deles é um golfo de 400 milhas que se estende até o extremo sul da Nova Caledónia, dificultando seriamente a progressão em direção à Nova Zelândia quando a 6ª etapa entra no seu 14º dia. E com a linha de chegada em Auckland a mais de 1.500 milhas de distância, um olhar sobre a previsão meteorológica não traz boas noticias, não se vislumbrado nenhuma brisa no curto prazo.

Além de combater os elementos, as lutas na água tornaram-se pessoais, com a frota de seis unidades dividida em pares, formando essencialmente três provas de Match-Race no meio do oceano.

O Team Sun Hung Kai / Scallywag e o AkzoNobel continuam a liderar o caminho para sul, com o Turn the Tide on Plastic e o Team Brunel lado a lado cerca de 50 milhas a nordeste, mas apenas 20 milhas atrás na distância até ao final. Essa alavancagem para leste pode ser decisiva nos próximos dias.

Cinquenta milhas a sul e a mais de 75 milhas atrás dos líderes, MAPFRE e o Dongfeng Race Team continuam a procurar um caminho de volta para a etapa, separados por menos de uma milha.

Enquanto as condições nas tempestades são fisicamente esgotantes, a falta de vento leva os velejadores até ao limite do cansaço mental, enquanto procuram desesperadamente uma rota que possa fornecer a mínima vantagem de velocidade sobre os seus rivais.

“É complicado … cobras e coriscos”, disse David Witt, skipper do Team Sun Hung Kai / Scallywag, depois de passarem o AkzoNobel para ocupar o primeiro lugar. “Há mais dois dias disto, não vai haver muito tempo para dormir”.

A causa do buraco do vento gigante, é uma grande tempestade – Gita – atualmente a tocar a ilha sul da Nova Zelândia que anulou os ventos de alísios, permitindo que os Doldrums evoluíssem para proporções épicas.

O que todas as equipas podem fazer, é escolher a rota mais rápida para o sul, aproveitando ao máximo o clima local, e fazer figas para que as previsões estejam certas.

A incerteza e a frustração são compartilhadas em toda a frota.

“Parece que estamos em três Match-Race, mas não estamos seguros de quem vai ás finais, ou quem é que está nas meias-finais, e quem está a ver se foge aos últimos”, disse meia confundida a skipper do Turn the Tide on Plastic skipper Dee Caffari.  Bouwe Bekking, skipper do Brunel, acrescentou: “Às vezes pensamos que temos o melhor desporto que existe, mas em dias como estes, acho que a maioria da equipa pensa que também pode ser uma modalidade muito estúpida”.

O único bónus é que as equipas não estão sozinhas na sua luta. A zona sem vento é tão grande que atraiu todas as seis equipas, e o que afeta uma, afeta a todas.

“Desde o início, andamos juntos com a Dongfeng, e hoje é apenas mais um dia em que estamos a uma milha um do outro”, disse o skipper do MAPFRE, Xabi Fernández.

“Tivemos algumas nuvens esta manhã e perdemos cerca de quatro milhas, mas agora estamos de volta. É muito difícil ultrapassá-los e é difícil para eles ultrapassar-nos. Pelo menos, estamos muito entretidos. ”

A chave para escapar será apanhar a nova brisa em primeiro lugar. Mas qual par encontrará a salvação em primeiro lugar, ainda está para ser visto.

 

6ª etapa – Classificação geral – Terça-feira, 20 de fevereiro (Dia 13) – 13:00 UTC

1 – Sun Hung Kai / Scallywag – distância até ao final – 1575,57

2 – AkzoNobel +1,29

3 – Turn the Tide on Plastic +19,48

4 – Brunel +20,68

5 – Dongfeng Race Team +73,09

6 – MAPFRE +73,48

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