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Num artigo publicado no The Guardian, Amelia Duggan acompanha o guia João Pedro Sousa numa travessia pela Serra da Estrela. Com raquetes de neve presas às botas, avançam em direção às mariolas — pequenos montes de pedras fundidas pelo gelo que assinalam o trilho. A paisagem, explica o guia, muda todos os dias, obrigando a reaprender a lê-la.
Do alto da serra, avista-se o vale glaciar do Zêzere e, encaixada na encosta, a vila de Manteigas, fundada no século XII e hoje centro do turismo regional. No horizonte ergue-se a Torre, com 1.993 metros, o ponto mais alto de Portugal continental, onde funciona uma pequena estância de esqui indicada para principiantes.
Responsável pelas atividades da Casa das Penhas Douradas, João Pedro conduz caminhadas ao longo de mais de 160 quilómetros de trilhos que partem da propriedade. Os percursos seguem antigos caminhos de pastores, atravessam pinhais, contornam lagoas e cruzam passagens áridas pontuadas por enormes blocos de granito — vestígios da última idade do gelo. Em 2020, a área foi reconhecida pela Unesco como geoparque global, distinção que valoriza a sua biodiversidade e geologia notáveis.
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O hotel destacado pelo jornal britânico ocupa um sanatório centenário agora renovado. Os seus 17 quartos e suites, revestidos a painéis de bétula, estão orientados a nascente, com amplas janelas deslizantes que deixam entrar o ar puro da montanha nos meses mais amenos. Ao longo do corredor principal, aquecido por lareiras, uma galeria de fotografias em tons sépia recorda a expedição pioneira da Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, que procurava neste planalto um local adequado para tratar a tuberculose.
Segundo João Pedro, o ar refinado, a água pura e a dieta rica em proteínas operavam verdadeiras melhorias nos doentes. No início do século XX, a serra foi a resposta portuguesa às estâncias de saúde suíças de St Moritz e Davos. Os chalés espalhados pelas encostas, com telhados inclinados e pormenores pitorescos, evocam o norte da Europa, embora construídos em pedra e combinando influências alpinas com a arquitetura serrana lusitana.
Caso esteja mau tempo, o hotel oferece alternativas: sauna interior, piscina aquecida, massagens e refeições de três pratos onde se destaca o porco ibérico da região. As tardes passam-se com um copo de vinho do Porto e livros de montanhismo numa biblioteca decorada com antigos objetos de esqui. O ponto alto é um banho noturno numa banheira nórdica ao ar livre.
Além da hotelaria, o jornal britânico destacou também o burel, já que os fundadores do hotel tiveram também um papel decisivo na recuperação deste tecido espesso e impermeável feito a partir da lã da ovelha bordaleira, usado desde a Idade Média nas capas dos pastores. Em 2010, reabriram uma fábrica em Manteigas como Fábrica de Burel, apostando em cores vibrantes, design contemporâneo e novas aplicações em arte mural, mobiliário e moda. Com isto, artesãos experientes regressaram e formaram uma nova geração, revitalizando um ofício em declínio.
Segundo a informação disponibilizada, as noites na Casa das Penhas Douradas têm valores a partir de 189€ com pequeno-almoço incluído, caminhadas guiadas e uma visita à Fábrica de Burel.
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