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OE2018: Bloco de Esquerda quer verba para programa de “intervenção urgente” na floresta

Este artigo tem mais de 8 anos

A coordenadora do BE, Catarina Martins, anunciou que o partido vai propor uma dotação no Orçamento do Estado para 2018 para concretizar um “programa urgente na floresta” que, entre outras medidas, duplique as equipas de sapadores florestais.

Em declarações aos jornalistas no final da Mesa Nacional do BE, a dirigente do partido não quis especificar o valor total deste programa, do qual já deu conhecimento ao Governo mas para o qual ainda não existe acordo, mas salienta que “não será um pormenor”.

“Aguardamos que, no âmbito das negociações, possamos chegar a um valor, mas não podemos fazer de conta que é um pormenor do orçamento”, disse Catarina Martins, alertando que cada vez que o Estado tenta poupar na prevenção gasta “muito mais” no combate aos incêndios.

O BE sugere ainda que este programa poderia ser negociado com Bruxelas como uma medida irrepetível (“one off”), de forma a não ser contabilizada para o défice.

“O BE não tem a postura de achar que temos de cumprir metas que achamos irrazoáveis, mas sabemos que o PS considera importante essa negociação em Bruxelas”, justificou.

Além da duplicação das equipas de sapadores florestais, este programa incluiria a reativação dos serviços florestais e do corpo de guardas florestais, bem como a gestão do combustível e a abertura de uma rede primária de defesa dos pontos mais críticos da floresta até maio de 2018.

Alertando que se tratará de “um esforço considerável” para o país, a coordenadora do BE considerou que “não se compreenderia, face ao que têm dito no parlamento, que algum partido não apoiasse esta medida”.

A Mesa Nacional do BE, órgão máximo entre convenções, foi hoje centrada na questão dos incêndios, depois da tragédia que deflagrou na zona centro a 17 de junho e provocou pelo menos 64 mortes e mais de 250 feridos.

Sobre estes incêndios em concreto, a coordenadora do BE salientou que o partido, em conjunto com o PCP, promoveu uma ação no Parlamento Europeu para pedir “o reforço e agilização do fundo de solidariedade europeu”.

Questionada se o BE entende que a responsabilidade objetiva do Estado neste caso está ainda por demonstrar, Catarina Martins foi clara: “Nós não consideramos que seja possível isentar o Estado de responsabilidades objetivas face a pessoas que foram vítimas numa estrada nacional”.

Sobre a reforma florestal em debate no parlamento, Catarina Martins salientou que o BE foi o primeiro partido a apresentar medidas neste domínio e destacou alguns pontos de aproximação com o Governo, de forma a que sejam aprovadas novas leis ainda antes das férias parlamentares.

“Ninguém compreenderia que os projetos continuassem na especialidade e os partidos não tivessem condições de diálogo para que alguma legislação comece efetivamente a mudar”, disse.

Se na organização de unidades de gestão florestal e na revogação da lei que “liberaliza a plantação do eucalipto” há avanços com o executivo, Catarina Martins apontou duas grandes divergências com o Governo no âmbito da reforma florestal.

“O Bloco não aceitará nenhum processo que permita que entidades financeiras especulem com terrenos florestais à boleia da reforma florestal. A natureza das entidades que são chamadas ao ordenamento da floresta é essencial”, sublinhou.

Por outro lado, disse, a proposta do Governo prevê uma “litoralização do eucalipto, que o que hoje está plantado no interior seja passado para o litoral”.

“O que o BE considera é que é preciso limitar e ordenar o eucalipto onde ele está e não exportar o eucalipto para o litoral, mantendo o problema do desordenamento e retirando a fonte de rendimento ao interior”, defendeu.

Para discutir as propostas já em debate no parlamento e outras que ainda possam dar entrada no âmbito da reforma da floresta, o BE marcou para 08 de julho um Fórum da Floresta, em Leiria, onde participarão especialistas em várias áreas.

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