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Covid-19: TAP já fez pedido de auxílio ao Estado

Este artigo tem mais de 6 anos

O presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, afirmou hoje que a transportadora aérea “já endereçou um pedido de auxílio ao Estado português”, tendo expectativa de que possa ser conhecida “muito em breve” uma resposta.

Miguel Frasquilho falava na comissão parlamentar de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, no âmbito de um requerimento do Bloco de Esquerda (BE) sobre a situação da TAP e planos para o futuro.

“A TAP já endereçou um pedido de auxílio ao Estado português”, afirmou o ‘chairman’ da empresa, salientando que a transportadora aérea portuguesa tem “a vantagem de ter o Estado como acionista”.

Miguel Frasquilho referiu ainda que o apoio às operadoras aéreas acontece “em todos os países europeus”, tal como nos Estados Unidos, “onde foi negociado um pacote de auxílio às empresas” e onde está em cima da mesa a tomada de participações na estrutura acionista em diversas empresas de aviação.

O ‘chairman’ salientou que o “reforço da posição acionista do Estado não pode ser descartada” no contexto atual, como “nenhum cenário pode ser descartado”, tendo em conta a pandemia do novo coronavírus.

“Temos a expectativa que possamos conhecer essa resposta muito em breve”, acrescentou.

O presidente do Conselho de Administração da TAP afirmou ainda que o auxílio dos privados à empresa, face ao impacto da pandemia da covid-19, “é uma opção que tem também de estar em cima da mesa”.

Em cima da mesa, disse, “está o auxílio do Estado português, também pode estar o auxílio do acionista Estado, mas atenção”, – reforçou – não se pode “excluir também o auxílio dos acionistas privados, porque a TAP tem dois acionistas de referência: o acionista Estado e o acionista Atlantic Gateway”, afirmou Miguel Frasquilho, em resposta ao PS.

“E é de perguntar aos acionistas, nesta altura, se têm efetivamente capacidade para auxiliar as empresas. Eu não estou só a falar da TAP, conceptualmente isto deve acontecer em qualquer setor de atividade, em qualquer empresa”, considerou o ‘chairman’.

Portanto, “essa é uma opção que tem também que estar em cima da mesa, saber se há capacidade e vontade de poder amparar, de poder auxiliar, no caso concreto a TAP”, prosseguiu.

No entanto, acrescentou, “em situações como esta percebe-se a importância que tem o Estado soberano e até a que tem de ter o Estado como acionista da empresa”, apontou o presidente do Conselho de Administração.

Isto, “porque a dimensão da calamidade é de tal ordem que duvido muito que acionistas privados, ou pelo menos muitos acionistas privados, possam ter capacidade de auxiliar, dentro da dimensão que estamos a falar, as respetivas empresas”, sublinhou.

“O auxílio do Estado será para salvar a empresa, não se trata de salvar qualquer acionista que seja”, afiançou o ‘chairman’ em resposta ao PS.

“Estou certo de que vamos encontrar a melhor solução para a TAP para garantir o futuro da companhia”, salientou o gestor, referindo também estarem “conscientes que esse auxílio” irá aparecer “com condicionalismo associado”, uma vez que “quem ajuda pode impor condições”, apontou.

Questionado sobre a eventual nacionalização da TAP, o gestor lembrou que nem o primeiro-ministro, nem os ministros das Finanças e da Economia excluíram essa possibilidade.

“Não podemos excluir nenhuma possibilidade, desde o caso extremo da nacionalização” até ao auxílio do Estado, referiu o ‘chairman’.

“Todas as hipóteses estão em cima de mesa, desde o diferimento de pagamentos ao Estado, desde a concessão de garantias, de empréstimos convertíveis em ações, aumento da posição acionista do Estado na empresa”, prosseguiu o gestor, apontando que tudo “vai depender também da capacidade dos acionistas de poderem recapitalizar a empresa”.

“Tudo isto terá de ser equacionado”, afirmou.

“Iremos trabalhar em conjunto para encontrar a melhor solução para a TAP”, garantiu, salientando que existem duas orientações claras neste processo: “proteger ao máximo os postos de trabalho neste enquadramento extraordinariamente difícil e garantir a sobrevivência e sustentabilidade da TAP, que é estratégica para a nossa economia”.

“Neste momento, estamos uma fase em que aguardamos ‘feedback’ por parte do Governo e a seu tempo teremos a solução”, afirmou, sublinhando que “não há grande possibilidade de serem concedidos empréstimos sem que o Estado esteja presente”, reiterando que tal “virá acompanhado de condicionalismos que poderão assumir diversas formas”.

“A TAP tem e sempre terá papel estratégico fundamental para o país”, sublinhou.

A TAP é detida em 50% pelo Estado, através da Parpública, em 45% pelo consórcio privado Atlantic Gateway e em 5% pelos trabalhadores.

Miguel Frasquilho disse ainda concordar que o atual modelo societário da empresa “defende os interesses do país”, reiterando que o financiamento da companhia aérea sem o envolvimento do Estado ou é difícil ou enfrenta “condições proibitivas”.

“Só o dinheiro público pode acudir”, disse, destacando a vantagem de a empresa contar com o Estado como acionista.

Salientou que a aviação, tal como o setor do turismo, são dos mais afetados com o impacto da pandemia da covid-19.

“Com as restrições que têm vindo a ser impostas, a maior parte das companhias aéreas tem a sua operação praticamente parada”, constatou.

“No caso da TAP, temos vindo a fazer vários voos de repatriamento de portugueses que estão no estrangeiro, temos estes sete voos por semana, assegurando a continuidade territorial para os Açores e para a Madeira, e alguns contratos têm sido estabelecidos para trazer, nomeadamente, material médico de outras paragens que tão necessário é para o nosso país”, prosseguiu o ‘chairman’.

A TAP “tem estado ao serviço, nomeadamente, do Governo português, em parceria com outros grupos”, disse.

“Com a eclosão desta pandemia se há transporte aéreo que não parou é o transporte da carga. A TAP não tem essa operação, mas é evidente que estamos a equacionar poder ter uma atividade maior nesse capítulo, utilizando para tal aeronaves que são para passageiros, porque se, de facto, existirem possibilidades de rentabilizar a operação, nós iremos por aí”, afirmou.

“Essa possibilidade está em aberto”, salientou Miguel Frasquilho.

Em resposta a questões dos deputados, o gestor afirmou que não é possível prever o desempenho financeiro da TAP este ano, dado ao atual contexto de incerteza.

Frasquilho adiantou que os dois primeiros meses do ano correram “bastante bem”, com a receita “em linha ou acima do orçamentado”, mas não há uma data para a retoma, pelo que é difícil fazer previsões neste momento.

Em resposta ao PCP, Miguel Frasquilho admitiu que a TAP está a atrasar os pagamentos aos fornecedores e que os ‘leasings’ dos aviões “estão nessa categoria”.

“É uma forma de tentarmos ganhar tempo em termos de tesouraria, em termos de liquidez”, argumentou o ‘chairman’.

Sobre a Portugália, e em resposta ao PCP, garantiu tratar-se de “uma das empresas essenciais do grupo” e que “não está em cima da mesa qualquer interrupção da atividade, muito menos o seu fim”.

Com a operação reduzida a “quase zero”, as aeronaves que a TAP tem agora utilizado são as da Portugália, os Embraer.

“Optámos por aeronaves mais pequenas e é natural que quando a operação seja retomada se comece com aviões mais pequenos”, disse.

Já sobre contratação externa, Miguel Frasquilho sublinhou que, tanto quanto sabe, a TAP não aumentou o recurso a contratos com entidades externas neste período.

(Notícia atualizada às 14:52)

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