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Lei de Turing: o diploma que perdoou 50 mil britânicos homossexuais

Este artigo tem mais de 9 anos

O perdão da rainha Isabel II a Alan Turing, em 2013, foi o mote para que no passado dia 31 de janeiro cerca de 50 mil homens condenados por práticas homossexuais no século XX recebessem um indulto do governo britânico.

No século XX manter relações homossexuais era considerado crime. Em Inglaterra e no País de Gales, tal lei perdurou até 1967, na Escócia, até 1980 e na Irlanda do Norte até 1982.

Alan Turing, o matemático inglês que durante a II Guerra Mundial ajudou a decifrar os códigos secretos nazis, foi, em 1952, condenado à castração química, ao abrigo desta lei, por ter mantido relações sexuais com um jovem de 19 anos. Dois anos depois, Turing viria a suicidar-se ao comer uma maçã que o próprio envenenou com cianeto de potássio.

Até 2013, o homem cuja vida foi retratada no filme “Jogo de Imitação”, que em 2014 ganhou o Óscar para melhor argumento adaptado, vivia com um cadastro agarrado ao seu legado. Nesse mesmo ano a rainha Isabel II concedeu um perdão ao matemático, uma ação muito aplaudida e que deu o mote para que o indulto fosse aplicado a todos os que, tal como Turing, foram condenados por práticas de homossexualidade ou bissexualidade no século passado, durante os anos em que a lei esteve em vigor.

O movimento cresceu e culminou na “Lei Policial e Criminal”, diploma que acabaria por ser batizado e conhecido por lei de Turing, em homenagem ao homem que veio a tornar-se num símbolo na luta pela igualdade de direitos dos homossexuais e bissexuais.

Na passada terça-feira, dia 31 de janeiro, o ministro da Justiça e do Interior, Sam Gyimah, em nome do governo britânico, publicou a lei e alargou o perdão atribuído a Alan Turing a outros 50 mil homens, entre eles o escritor Oscar Wilde, concedendo um indulto e “um perdão póstumo” todos aqueles que já partiram, e um perdão legal a todos os que ainda são vivos.

“Um dia verdadeiramente memorável”, disse o ministro no dia em que cerca de 50 mil cadastros criminais foram limpos, 50 anos depois da lei ser absolvida em Inglaterra.

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