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Câmara da Marinha Grande vai comprar instalações da antiga cristaleira Mortensen

Este artigo tem mais de 7 anos

A Câmara da Marinha Grande, no distrito de Leiria, vai comprar as instalações da antiga cristaleira Mortensen por 1,2 milhões de euros, na sequência da revisão do Orçamento municipal, foi hoje anunciado.

À agência Lusa, a autarquia liderada por Cidália Ferreira informa que a aquisição será concretizada “assim que estejam formalizadas todas as questões com o atual proprietário, o banco Millennium BCP”.

Quanto à finalidade do espaço, ainda não está definida, mas a Câmara defende que a mesma deve “ser alvo de discussão ampla e alargada antes de qualquer decisão”, segundo uma resposta escrita enviada à agência Lusa.

Porém, assinala que “não será alheia a esta discussão a possibilidade de encontrar uma solução que possa beneficiar de financiamento comunitário, nomeadamente através de instrumentos disponíveis para reabilitação urbana nos centros tradicionais/históricos”.

“A aquisição é o primeiro passo e é essencial para devolver ao património público este espaço que podemos dizer que é o berço da Marinha Grande moderna e industrial”, adianta o Município, justificando a compra com a “importância histórica e patrimonial e posição estratégica no centro da cidade, em plena área de reabilitação urbana”.

Segundo a mesma informação, o atual executivo e o anterior, liderados pelo PS, acreditam que “este espaço é fundamental para alavancar o processo de reabilitação do Centro Tradicional e dinamização do mesmo, revertendo, assim, o processo de declínio acentuado nos últimos anos”.

“Este imóvel foi a Real Fábrica de Vidros e, posteriormente, a Fábrica Escola Irmãos Stephens, enquanto propriedade pública do Estado. Os restantes imóveis que complementaram a fábrica (hoje a Biblioteca, o Museu do Vidro e a Casa da Cultura – Teatro Stephens) são património classificado de interesse público”, destaca a autarquia, considerando ser “fundamental que o que quer que ali venha a ser implantado não apenas honre esse passado histórico como o perpetue e celebre, oferecendo ainda à Cidade novos espaços que sirvam às suas necessidades atuais”.

À agência Lusa, a coordenadora Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV), Etelvina Rosa, disse que gostaria de ver no imóvel algo que chegou a ser sugerido ao Município após a insolvência da Jorgen Mortensen.

“Enquanto sindicato, gostaríamos que ali fosse um centro de ciência viva com funcionamento permanente, para mostrar ao público as técnicas de fabrico do vidro, o que seria também o mais lógico e justo”, declarou Etelvina Rosa.

A sindicalista ressalvou que “o espaço não deveria ter por base a fábrica Mortensen, que esteve ali meia dúzia de anos, mas o que foram as instalações da primeira fábrica de vidro na Marinha Grande, a Stephens”.

“O importante é manter vivo o legado Stephens, que é também a História da Marinha Grande, e mostrar a sua importância para a indústria, para a região e para a população, e que poderia ser um complemento ao Museu do Vidro”, acrescentou.

De acordo com informação do STIV, a cristaleira Jorgen Mortensen foi declarada insolvente em 2005, quando teria cerca de 100 trabalhadores que, “entre salários em atraso e indemnizações”, teriam direito a um valor global de 1,3 Milhões de euros.

Contudo, recorda hoje o STIV, os trabalhadores “não receberam qualquer valor da massa insolvente, pois em nome de Jorgen Mortensen só existia o vidro em ‘stock’”.

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