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Explica-me Isto: estamos menos férteis ou só adiamos ter filhos?

Este artigo tem mais de 1 ano

A infertilidade está a aumentar ou está-se apenas a adiar cada vez mais a decisão de ter filhos? Estima-se que cerca de 300 mil casais portugueses enfrentem dificuldades para conceber, o que representa aproximadamente 10% dos casais, mas isso pode apenas querer dizer que estão a tentar engravidar mais tarde.

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Carlos Calhaz Jorge, médico especialista em Obstetrícia e Ginecologia, e professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, começa por referir que o número absoluto de casos de infertilidade não tem aumentado de forma significativa — o que mudou foi a idade com que se começa a ter filhos ter filhos.

O presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) e diretor do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, no Hospital de Santa Maria lembra que adiar a maternidade se tornou comum por razões profissionais, económicas ou de estabilidade pessoal.

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Mas ressalva, ao longo das sete partes deste episódio de Explica-me Isto, que essa decisão tem impacto direto na fertilidade, uma vez que a qualidade e quantidade dos ovócitos diminuem com a idade. “Programar a gravidez para idades tão cedo quanto possível, depois da vida estabilizada, é importante”, alerta o médico. “As técnicas de procriação medicamente assistida não vão ser a resolução do problema se as senhoras tiverem mais de 40 anos.”

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Segundo o especialista, para além da idade, existem outros fatores que contribuem para o aumento da infertilidade e deixa alertas para quem ainda vai a tempo de mudar estilos de vida pouco saudáveis, como o consumo de álcool, tabaco, o sedentarismo ou a obesidade. “Estilos de vida adequados são fundamentais na proteção da fertilidade futura. E as relações sexuais devem ser protegidas para evitar infeções que podem comprometer os canais que ligam os ovários ao útero.”

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Apesar dos avanços na medicina da reprodução, o acesso aos tratamentos continua a ser desigual. No Serviço Nacional de Saúde, os tempos de espera para uma primeira consulta podem ultrapassar um ano e meio, chegando a três anos quando há necessidade de doação de gâmetas. Isso agrava a ansiedade e o sofrimento de muitos casais — e limita as hipóteses de sucesso.

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Embora existam políticas públicas de apoio à Procriação Medicamente Assistida (PMA), ainda há um longo caminho a percorrer. O CNPMA e vários especialistas apontam medidas concretas para melhorar o acesso e a eficácia dos tratamentos: desde a redução das listas de espera através do reforço dos centros públicos de fertilidade, ao aumento do número de ciclos comparticipados pelo Estado, até campanhas de sensibilização sobre os limites da fertilidade, particularmente o impacto da idade.

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Há temas que dominam a atualidade, mas nem sempre são fáceis de entender. Em “Explica-me Isto”,  todas as semanas um convidado ajuda a decifrar um assunto que está a marcar o momento. Política, economia, cultura ou ciência—tudo explicado de forma clara, direta e sem rodeios. Os episódios podem ser acompanhados no FacebookInstagram e TikTok do SAPO24.

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