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Para a Netflix, isto é um tesouro

Este artigo tem mais de 4 anos

A opinião geral dos críticos e das audiências nem sempre é a mesma e, ao longo da História da sétima arte, há vários exemplos de filmes completamente desmanchados pelos media, que acabaram por ser grandes sucessos de bilheteira. Basta olhar para os últimos seis “Velocidade Furiosa”. A sugestão de hoje poderá entrar nesta categoria.

Que fique claro: não acho “Red Notice”, que estreou na sexta-feira na Netflix, um filme memorável. A história não é super criativa, a filmagem não é muito original e abusa um pouco dos efeitos especiais e os três — protagonistas Dwayne Johnson, Ryan Reynolds e Gal Gadot — acabam por representar papéis não muito distintos da sua personalidade.

Agora, antes de ver o filme, se me tivesse baseado em algumas das críticas de alguns dos principais meios, “Red Notice” parecia ser o pior filme da História. Uma razão para tais opiniões pode ser as expectativas criadas por elenco tão popular. Não é que qualquer um dos atores se tenha destacado em algum filme nomeado para o Óscar (até porque a maior parte deles acabou por ganhar protagonismo em filmes de super-heróis e de ação), mas há uma natural curiosidade quando se juntam três figuras tão sonantes no mesmo projeto.

Depois há ainda a clássica desconfiança com um filme da Netflix. É verdade que a plataforma de streaming não tem primado pelos projetos de maior qualidade e, fora algumas exceções como “The Irishman”, “Marriage Story” e mais recentemente “Passing”, a aposta em comédias ou filmes de ação “série B” tem feito a maior parte dos críticos de cinema revirar os olhos com as longas-metragens originais do serviço. “Red Notice” acaba por se inserir nesta categoria e, portanto, foi mais uma oportunidade para questionar o critério da Netflix para os filmes que decide produzir/apoiar.

No meu caso, olho para este filme como uma boa companhia para um domingo à tarde, sem uma narrativa demasiado complexa e com ação suficiente para me manter entretido durante 1 hora e 57 minutos. Na história, começa por nos ser apresentada uma lenda: há 2.000 anos, o imperador romano Marco António ofereceu à Rainha Cleópatra três ovos de ouro, um símbolo do seu amor impossível, que culminou em ambos tirarem a própria vida por não conseguirem estar juntos. Quanto aos ovos, acabaram por ir sendo vendidos sucessivamente a reis e magnatas (que foram beneficiando do crescente valor destes artefactos) e nunca mais estiveram no mesmo espaço até aos dias de hoje.

Só que, agora, um bilionário egípcio quer oferecer os três ovos à sua filha como prenda de casamento e comunica que está disposto a oferecer 300 milhões de euros à pessoa que os conseguir trazer intactos. Problema? Um dos ovos está num museu em Roma, outro está no cofre de um criminoso e o terceiro está desaparecido. Por isso, este é um trabalho que só está ao nível dos melhores ladrões do mundo. Um deles é Nolan Booth (Ryan Reynolds), que conhecemos em Itália, com a vida pouco facilitada. Por um lado, tem o agente do FBI John Hartley (Dwayne Johnson) e a Interpol no seu encalço. Por outro, tem um ladrão rival, o Bispo (Gal Gadot), que tem comprometido alguns dos seus assaltos dando informações à polícia.

Na busca pelo primeiro ovo, é precisamente isso que volta a acontecer. O Bispo encontra uma maneira de ficar com o ovo e de não só incriminar Booth, como o próprio agente que estava na sua perseguição. Fechados numa prisão de máxima segurança na Rússia, o ladrão e o polícia são obrigados a formar uma parceria improvável para escaparem e limparem o seu nome. Só que para Booth isso significa roubar primeiro os três ovos, enquanto para Hartley, o importante é apenas apanhar o Bispo, por isso, os seus objetivos e planos não estão sempre alinhados.

É neste ambiente de conflito que o filme vai evoluindo, tendo pelo meio várias viagens pelo mundo, a descoberta de segredos de um colecionador de arte nazi e ainda uma tourada. Eu sei que parece confuso, mas no final até acaba tudo por fazer algum sentido. “Red Notice” é claramente uma tentativa da Netflix de ter o seu próprio franchise de caças ao tesouro e, não dando spoilers, o final algo forçado só existe para justificar uma sequela, que provavelmente vai acontecer. Está longe de ser um “Indiana Jones”, mas para o serviço de streaming também não é isso que interessa. Desde que tenha milhões de pessoas a ver e subscrever a sua plataforma, o filme já lhe dá todo o ouro de que necessita.

Reviews à parte, há alguns números que ajudam a mostrar que nem sempre os líderes de opinião representam o consenso geral sobre um filme:

  • “Red Notice” é o conteúdo mais visto na Netflix nos últimos quatro dias, no mundo inteiro.

  • No Rotten Tomatoes, apesar de o filme ter a aprovação de apenas 39% da crítica, o indicador das audiências indica uma aprovação de 92%.

Falta só verem o filme e escolherem de que lado ficam.

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