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“Não fica bem falar de…” sexualidade depois dos 50. Mais do que fantasia, é conexão

Será que aos 30 anos já sabemos tudo sobre sexo? Ou será que a maturidade traz um novo ritmo, um novo prazer e uma relação mais livre com o corpo e o desejo? Para Marta Crawford, psicoterapeuta e sexóloga, a resposta é clara: a sexualidade pode melhorar, e muito, com a idade.

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No oitavo episódio de “Não fica bem falar de…”, apresentado por Jessica Athayde, Marta Crawford começa por explicar que “ o à-vontade que se vai ganhando ao longo da vida desconstrói muitas das inibições iniciais”. A experiência, a maturidade emocional e, em muitos casos, a maternidade contribuem para uma sexualidade mais consciente, criativa e menos pressionada por expectativas externas.

A sexualidade não é estática. Em qualquer idade, pode ser renovada. “Todas as fases da vida são uma oportunidade. Muitas vezes, em relações longas, é preciso fazer um refresh”, afirma Marta Crawford. Durante muito tempo, o sexo foi vivido de forma redutora, excessivamente centrado na penetração e no orgasmo. Com a maturidade, abre-se espaço para uma sexualidade mais rica, sensorial e variada.

A sexóloga compara a sexualidade a “uma paleta de cores, um menu de degustação”. Quando se insiste apenas num modelo rígido, a frustração instala-se. Quando se aceita a mudança, surgem novas formas de prazer.

As mulheres portuguesas que hoje têm cerca de 50 anos cresceram num contexto conservador, onde a sexualidade era pouco ou nada falada. Muitas herdaram tabus familiares e educativos que ainda hoje se fazem sentir. No entanto, muito mudou nas últimas décadas.

“As mulheres cresceram em direitos, em consciência e em liberdade. As de hoje não aceitam relações abusivas e sabem melhor o que lhes faz bem”, sublinha. Apesar disso, fatores emocionais continuam a ter um grande impacto na libido: relações insatisfatórias, stress profissional, conflitos familiares ou tristeza afetam diretamente a disponibilidade mental para o sexo, em qualquer idade.

A menopausa traz mudanças hormonais, como a secura vaginal ou a diminuição da lubrificação, mas isso não significa o fim da vida sexual. “Há soluções no mercado que melhoram muito a qualidade de vida sexual”, explica Marta Crawford, destacando o uso de lubrificantes à base de água e uma abordagem mais suave e consciente ao corpo.

Mais importante do que focar-se no que se perdeu é olhar para esta fase como uma oportunidade. “Não devemos ver o corpo como algo que falhou, mas como algo que mudou.” Muitos casais procuram ajuda precisamente nesta fase, e quando conseguem falar de forma aberta, o equilíbrio torna-se possível.

Também os homens passam por alterações hormonais com a idade. A ereção pode demorar mais tempo, o desejo pode diminuir e a ejaculação tornar-se diferente. Ainda assim, Marta Crawford é clara: “Desde que haja testosterona, desejo e vontade, os homens podem ter uma vida sexual ativa durante muito tempo.”

O desafio está no ajuste entre os dois. “O equilíbrio acontece quando o ‘sim’ e o ‘não’ estão nivelados. Não pode haver um sempre a querer e o outro sempre a fugir.”

Fingir que está tudo bem não resulta

Um dos erros mais comuns, sobretudo entre mulheres, é fingir que está tudo bem e avançar para o sexo sem desejo. “Vai-se a jogo, não dói, mas a experiência é insatisfatória.” Com o tempo, isso corrói a relação e a autoestima.

Daí a importância do diálogo íntimo, honesto e sem culpa. A premissa fundamental da sexualidade saudável, lembra Marta Crawford, é simples: só é bom quando ambos querem.

A fantasia não é algo extravagante ou obrigatório pode ser mínima, sensorial, feita de conexão e química. “É aquilo que nos entusiasma, que acelera o batimento cardíaco.”

A autoexploração é outro pilar essencial, especialmente para as mulheres. Muitas nunca aprenderam a conhecer o próprio corpo, educadas na ideia de que era “feio” ou proibido. “Não é vergonha nenhuma. Conhecer o corpo é fundamental para o prazer a dois.”

Nunca é tarde para viver o desejo

No consultório de Marta Crawford chegam pessoas com mais de 70 e 80 anos, não porque a relação esteja má, mas porque querem que seja melhor. “Vêm procurar conforto, adaptação e prazer dentro das limitações de cada um.”

A sexualidade não acaba com a idade, transforma-se. O prazer maduro é mais consciente, menos pressionado e mais livre. Estudos recentes mostram que, a partir de determinada idade, as mulheres relatam um prazer mais despreocupado e assertivo: sabem o que querem, o que não querem e sentem-se no direito de o dizer.

Para uma vida sexual duradoura, Marta Crawford deixa algumas ideias essenciais: Não esperar que os problemas se resolvam sozinhos; falar com o parceiro/a, com amigos ou com um especialista e libertar-se dos modelos irreais aprendidos na adolescência.
“A sexualidade começa no diálogo”, resume.

Viver plenamente a sexualidade aos 50, 60 ou mais é uma decisão consciente. “Depois da menopausa ainda vamos viver muitos anos. Vale a pena escolher o bem-estar, a autoestima e a confiança.”

Envelhecer não é encolher-se nem desistir do prazer. É aproveitar as pequenas coisas, cuidar da relação e aceitar que a sexualidade, tal como a vida, pode ser reinventada em qualquer idade.

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