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Quando começa a contagem decrescente para a entrada no ano que se avizinha, as mãos seguram duas coisas: um copo de champanhe ou espumante e 12 passas.
Se a bebida costuma ser mais consensual, a verdade é que as passas não são do agrado de toda a gente — mas manda a tradição que sejam comidas, uma a uma, para trazer sorte para o Ano Novo. E se falhar a fruta desidratada, que seja ingerida fresca.
Segundo a Nacional Geographic, a origem da tradição não é clara, mas existem dois acontecimentos que parecem provar como tudo começou.
A primeira referência surge no século XIX, quando se encontra pela primeira vez uma menção escrita sobre o ato de comer uvas na véspera de Ano Novo, costume da aristocracia francesa que acabou também por passar para Espanha. Em Madrid, em tom de sátira, a classe trabalhadora começou a ridicularizar a classe burguesa afrancesada e começou a sair para comer uvas em frente à Puerta del Sol enquanto soavam as badaladas de fim de ano, costume que se propagou um pouco por todo o país.
Mas uma segunda história também costuma ser contada para mostrar como a tradição evoluiu. Em 1909, produtores espanhóis de uva enfrentaram uma colheita excepcionalmente abundante e passaram a promover o consumo da fruta durante as celebrações de Ano Novo como forma de evitar prejuízos.
Devido a esta circunstância, os produtores começaram a vender “uvas da sorte”, em pacotes de doze, uma por cada mês do ano, para que a sorte abundasse no ano seguinte. A tradição acabou por se espalhar também por Portugal e chegou mesmo a alguns países da América Latina — em alguns já na forma de passas, uma vez que esta fruta fresca não abunda no inverno.
Assim, atualmente, cada uma das 12 passas representa um dos meses do ano seguinte. Segundo a crença popular, comer uma passa a cada badalada do relógio, no momento da virada, garante boa sorte ao longo do ano. Em muitos casos, o gesto é acompanhado por pedidos silenciosos ou mentalizações de desejos pessoais.
Por outro lado, algumas pessoas guardam passas ou sementes na carteira como símbolo de atração de dinheiro e abundância, enquanto outras associam eventuais dificuldades durante o ritual a presságios bem-humorados para determinados meses do ano.
Outras tradições de Ano Novo
Além das 12 passas, há outros rituais associados à noite do Ano Novo:
Brinde: outro momento central da celebração. Muitas pessoas guardam a primeira gota no copo ou molham os lábios antes da meia-noite, acreditando que isso traz sorte para o novo ano.
Pé direito: outra crença popular defende que se deve entrar no Ano Novo com o pé direito, gesto que simboliza um começo positivo.
Nada de limpezas: varrer a casa ou deitar lixo fora no dia 1 de janeiro é visto, em algumas tradições, como sinal de perda de sorte.
Roupa interior: a escolha da roupa também tem significado simbólico. Usar roupa interior azul é associado à saúde e à tranquilidade, enquanto o vermelho está ligado à paixão e à sorte no amor. Acredita-se ainda que entrar no novo ano com roupa nova traz renovação e bons presságios.
Fogo-de-artifício: em várias cidades portuguesas, a passagem de ano é celebrada com concertos, fogo de artifício e festas ao ar livre, sendo Lisboa, Porto e Madeira alguns dos destinos mais procurados. O espetáculo de fogo de artifício no Funchal, em particular, é reconhecido internacionalmente.
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