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Fundar uma startup: “As redes sociais fazem parecer que é fácil”

Este artigo tem mais de 4 anos

Quando falamos em startups a tendência é falar dos sucessos, rondas de investimento e unicórnios. Mas qual é o dia-a-dia de um empreendedor no início da criação de uma startup? Quais são os desafios? Quais são as dificuldades? Para melhor percebermos, falámos com Yvonne Ivanescu, fundadora da Now in Rio Swim, uma marca de biquínis…

Yvonne é canadiana, trabalha remotamente e a tempo inteiro para uma plataforma de podcasts do Canadá e tem o seu próprio podcast, o Branding Lab Podcast. Adicionalmente, todos os dias dedica cerca de 2 a 3 horas à marca de biquínis que lançou em fevereiro deste ano. A vinda para Portugal, mais especificamente à Costa da Caparica, surgiu naturalmente depois de perceber o tamanho e qualidade da indústria têxtil no país, um setor muito relevante para a área de negócio que escolheu.

A ideia de criar uma marca de biquínis surgiu da falta de opções que sentia quando procurava roupa para a praia apta para a mulher comum, que lhe permitisse mover-se à vontade. Também queria certificar-se que não fazia parte de um problema, como o da sustentabilidade, e encontrou no empreendedorismo social uma forma de fazer parte da solução. Nasceu assim a marca Now in Rio Swim. Biquínis e fatos de banho desenhados para o corpo da mulher comum e feitos com nylon reciclado (Econyl) — em que uma percentagem das vendas reverte para uma associação de apoio a favelas no Brasil.

Uma das principais dificuldades que diz ter sentido quando decidiu lançar-se no mundo do empreendedorismo prende-se com o tempo que tudo demora. “Nas redes sociais tudo parece tão fácil, que nunca imaginei que fosse necessário tanto tempo”, conta a empreendedora que levou dois anos a preparar o lançamento da sua marca. Quando o fez, sentia que ainda poderia ter adiado mais, mas seguiu o conselho de vários outros empreendedores: “É melhor arriscar e ir descobrindo o que melhorar”, caso contrário, nunca se encontra a perfeição e nunca se atinge o momento ideal. Afinal de contas, é também importante testar o mercado para melhor afinar o produto e a sua estratégia.

No seu caso, esta demora prendeu-se sobretudo com a dificuldade que sentiu com as fábricas: por um lado, a barreira linguística que por vezes dificultava a negociação; por outro, a relutância de algumas com uma encomenda tão pequena quando comparada com as que são feitas por grandes marcas. Uma vez ultrapassado este obstáculo, a empreendedora confessa que pensava que no dia em que lançasse a coleção as suas vendas iriam explodir, mas também este processo revelou levar o seu tempo. Ainda assim, mantém-se otimista e considera-se um caso de sucesso: o produto vende e sente que a sua marca lhe permite ser uma mulher que empodera outras mulheres, um dos seus maiores objetivos.

Gostava de alargar a coleção em termos de padrões e cores, de aumentar quantidades de produção e de alargar a equipa, que atualmente conta apenas com a própria e o seu marido, mas para isso precisaria de investidores. A procura de investimento é outro dos processos que se revela moroso. Ao mudar de país durante uma pandemia, criar uma rede de contactos mostrou-se mais difícil do que esperava, pelo que bater a portas para encontrar o investidor certo para aquilo que procura é um processo difícil. Assim, irá manter-se num registo de bootstraping — termo utilizado pelos empreendedores quando se usam as próprias poupanças para criar um negócio, sem recorrer a créditos ou parceiros.

Para quem tenha vontade de enveredar por um caminho semelhante, Yvonne deixa dois conselhos: ser bondoso para com os próprios e a procura por algo que os apaixone verdadeiramente. Isto porque uma startup vai muito além de uma ideia inovadora. Requer tempo, dedicação e, sobretudo, financiamento.

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