• Atualidade
  • Economia
  • Desporto
  • Vida
  • Tecnologia
  • Local
  • Opinião
Mais

Dez boas ideias que encontrámos na Web Summit

Este artigo tem mais de 8 anos

O SAPO24 andou pelos corredores das zonas Alpha, Beta e Start durante os três da Web Summit. Nos pavilhões da Feira Internacional de Lisboa (FIL) encontrámos uma plataforma de reserva de chefs, uma aplicação para tornar os divórcios mais amigáveis, um cofre online, para a vida e para a morte, e um robô que nos…

Das ideias mais inovadoras às reformadoras. Das mais arriscadas às mais conservadoras. Da procura de financiamento à procura de parceiros e visibilidade. Por entre estas bancas havia repetentes, da edição do ano passado, e estreantes.

Numa altura em que o ecossistema do empreendedorismo e da inovação vivem os seus dias dourados, o SAPO24 percorreu os corredores da FIL à procura de boas ideias. Umas estavam, lá outras vieram à banca do SAPO, para o Pitcher, e apresentaram-se lá.

Estas são 10 boas ideias que encontrámos:

1.

Eles querem ser a Wikipédia da noite

créditos: MadreMedia/DR

Francisco Coutinho e Bárbara Barbosa têm 21 e 18 anos, respetivamente. São jovens, mas ambiciosos. Que o diga Francisco que com pouco mais de vinte anos já tem a sua própria agência publicitária – a Crewave.

Jovens e fãs de beber um copo à noite deram por si perdidos quando queriam sair com os amigos para um sítio novo ou saber onde havia alguma festa. “Há muitas plataformas, mas a informação está completamente dispersa. Tu não consegues gerir a informação toda numa. A WikiNight surgiu para isso, para os consumidores diretos, que são os clientes dos bares e discotecas, as pessoas que gostam realmente de sair à noite e beber um copo, de pesquisar por bares com tipos de músicas específicos, com festas específicas ou com promoções do tipo ‘afterwork’ ou ‘happy hours’. Fazer essa filtragem de acordo com a preferência de cada um”, explica-nos Bárbara.

O objetivo da WikiNight é juntar bares e discotecas numa aplicação móvel que permita ao utilizador ter várias opções para ir passar a noite, para além de oferecer promoções.

créditos: MadreMedia/DR

“Tens também um QR code que podes passar em bares e discotecas associados a nós e ganhar pontos e depois recebes um brinde, consoante o estebelecimento”, conta-nos Francisco.

Ainda com menos de uma semana de vida, a WikiNight conta com mais de 100 utilizadores e 15 bares/discotecas parceiros na área de Lisboa, para além de anteriormente já terem conseguido um bom investimento de um business angel americano. Quanto, perguntamos quando, respondem: “O suficiente para termos podido desenvolver a aplicação”, dizem sem pormenores.

2.

Um divórcio (mais) simples, com certeza.

créditos: MadreMedia/DR

Passar por um divórcio não é simples, a nível legal e pessoal. A Teamwork Family não se quer meter em burocracias, mas sim oferecer uma plataforma de soluções para que tudo seja mais simples, sobretudo entre pais que têm de dividir a custódia de crianças.

“Se quiser prosseguir um divórcio de uma forma amigável, nós temos a plataforma que pode resolver isso, fazendo perguntas antes que os dilemas aconteçam. Se um casal tiver filhos e decidir separar-se, o sistema, por exemplo, vai fazer uma série de perguntas: quem leva os filhos onde e quando, onde é que as crianças vão passar o natal este ano, o próximo, etc..”, explica-nos Richdardt Deleuran.

O sistema gera depois um calendário detalhado, em horas, de quem fica com as crianças e quanto tempo passa com elas, para além de incluir também uma calculadora para as despesas. Mas não só: a app também pode ajudar ao nível da propriedade, na divisão da casa, dos bens.

A empresa dinamarquesa veio para Portugal à procura de parceiros – psicólogos, advogados, etc.. O grande objetivo é aliviar a carga emocional de uma criança cujos pais se separaram e evitar que estas se coloquem em situações de risco no futuro.

“Queremos diminuir os níveis de conflito e assim diminuir níveis de criminalidade, de desemprego. O rating de suicídio é muito maior em pessoas com os pais divorciados, sabia?”, conta-nos Deleuran.

A aplicação está numa fase beta, com 50 utilizadores, e terá o custo de três euros por mês.

3.

Como vai pagar? Cartão ou dinheiro? Blue Code, por favor

créditos: MadreMedia/DR

A tecnologia desenvolve-se e aproxima-se da nossa vida para a facilitar. E é isso que a Blue Code pretende fazer: um pagamento de forma 100% segura, sem qualquer cartão ou intermediário. É só encostar o seu ‘code’, no ecrã do telemóvel, ao leitor do estabelecimento e já está.

A Blue Code não é nenhuma estreante por estas andanças, encontrámo-la na zona Start, a ‘última turma das startups’ na Web Summit. Já estão em 85% das cadeias de restauração na Áustria, assinaram contrato com um dos maiores bancos alemães e vieram a Lisboa à procura de parceiros para entrar no mercado português.

Mas por trás está uma ambição muito maior: “ visão é criar um esquema de pagamento europeu. Os esquemas de pagamento que temos hoje – Apple, Mastercard, Visa -, no final, levam grande parte do dinheiro para os Estados Unidos. O nosso CEO quer criar um esquema de pagamento 100% europeu onde o dinheiro vai circular somente dentro do espaço europeu”, explica Bruno Loiola, gerente da empresa suíça.

Para além disso, Laiola diz “orgulhar-se” de ter um dos métodos de pagamento mais seguros. “Em nenhum momento da transação temos as informações dos clientes, isso está com o banco”, sublinha.

“Nós simplificamos, só isso”, diz.

4.

E se pudesse colocar uma casa a arrendar sem se ter de preocupar com o resto? Agora pode

créditos: MadreMedia/DR

Colocar uma casa arrendar, por estes tempos, parece ser um negócio na moda, facilitado pelo crescimento de plataformas como a Airbnb. Mas ter uma casa sempre apresentável, com todas as regras cumpridas não é fácil. Foi para isso que nasceu o Hostmaker, para livrar o dono do apartamento de preocupações. “A sua casa em boas mãos”, dizem no site.

“A ideia nasceu depois do fundador da empresa, e a mulher, terem notado que havia uma falha no mercado. Eles próprios colocaram uma casa a alugar no Airbnb e perceberam que havia dificuldade em ter alguém que capaz de fazer toda a gestão de um apartamento, o que não é nada fácil”, explica-nos Iolanda Maia.

A Hostmaker já está na zona Start, da Web Summit, ou seja, entre os mais crescidos. Cá estão sobretudo à procura de parceiros, uma vez que vão abrir em Portugal ainda durante o mês de novembro, depois de terem recebido um investimento de 15 milhões de euros que permitiu a expansão para outros mercados.

5.

Prever para poder agir melhor, esta app quer democratizar o acesso de empresas à contratação pública

créditos: Web Summit/DR

O Estado é o maior comprador em qualquer país. O problema é que 90% dessas compras são restritas, tipicamente por ajustes diretos, em que uma, duas, três empresas são convidadas a participar. O que é que a Govwise quer fazer? Quer democratizar o acesso das PME’s à contratação pública.

“Nós queremos antecipar a previsão das compras do setor público através de dados. Aproveitamos diretivas e obrigações europeias que levam a que entidades públicas libertem toda a informação disponível de qualquer empresa ou particular, a chamada open data. Trabalhamo-la e através de algoritmos de previsão conseguimos prever as compras das entidades públicas antes de estas acontecerem o que, obviamente qualquer empresa”, explica-nos Francisco Vaz Figueiredo, cofundador da empresa.

“Em Portugal são gastos 2 mil milhões de euros em compras públicas por ano a 40 mil empresas distintas em território luso”, sublinha Pedro Marques, também cofundador.

Poupar tempo, aumentar as possibilidades e eficácia é isto que a Govwise tem para oferecer. Do outro lado estão à procura que um investimento na ordem das “algumas centenas de milhares de euros”, para o plano de comunicação e lançar o produto no mercado. Dizem sair da Web Summit com a sensação de que valeu a pena: conseguiram reuniões e contactos que se prolongarão para lá do evento.

6.

Uma rede social de… sítios

créditos: MadreMedia/DR

“Nós somos um grupo de amigos que costumava estudar em grupo. E todos os dias havia sempre um pequeno problema para combinar as coisas: demorava-se sempre a saber quem já tinha chegado, quem estava a caminho, quem ainda estava em casa”, explica-nos João Robalo.

No tempo em que as aplicações móveis ajudam a facilitar a vida na palma das mãos, foram os três à App Store e Play Store, mas todas as soluções que encontraram implicavam um tracking constante. Era “bastante invasivo”, sublinhou Miguel Paiva.

A solução foi criar uma ideia e apresentá-la. A aplicação que viria a chamar-se Places chamou a atenção de um grupo de investidores – “quando era ainda e só um powerpoint”, contam-nos – que investiram 100 mil euros na ideia. O resultado é uma rede social na qual adicionamos lugares – bibliotecas, centros comericais, estádios, etc. Uma vez ligado aos lugares, e aos amigos, conseguimos sempre saber que uma pessoa que conhecemos chegou ao mesmo espaço que nós.

“O Places é automático, mas ao mesmo tempo não te consome a bateria. Não te está sempre a perguntar onde é que tu andas. Nós usamos uma tecnologia em que a app só acorda quando entras no teu place [sítio]”, explica Robalo que diz que os três jovens vieram à Web Summit dar-se a conhecer para juntar um número cada vez maior de utilizadores e continuar a somar feedbacks.

7.

Um cofre online para a vida (e para a morte)

créditos: MadreMedia/DR

Imagine toda a sua vida num cofre, online e encriptado. Tudo: códigos, informação de contas bancárias, passwords. A Kylega pode ser isto, pode ser um cofre. Mas ainda pode ser mais. A principal característica desta app é que que distribui a informação guardada, em caso de qualquer fatalidade, a pessoas da família ou anteriormente designadas pelo utilizador.

“Nunca nenhuma das partes sabe o que vai receber, nem quando vai receber nem sequer se vai receber”, garante Bruno Martins da Kylega.

A aplicação está neste momento a ser testada e na Web Summit procuraram parceiros, uma vez que a plataforma é principalmente destinada a grupos de risco – bombeiros, pescadores, polícias, etc.-

A Kylega foi uma das empresas que participou no Pitcher do SAPO24, com o ‘shark’ Tim Vieira.

8.

Um melhor amigo para o seu melhor amigo não lhe destruir a casa

créditos: MadreMedia/DR

“Eu adotei uma cadela de um refúgio e no início ela estava destruir tudo em minha casa: roeu o sofá, a minha mesa e chegou mesmo a roer a televisão. Primeiro comecei por colocar uma câmara. Aí conseguia ver o que ela fazia, mas era incapaz de a impedir de estragar tudo. Assim surgiu a ideia de criar um robot que se movesse e que pudesse distrair ou estimular um cão”, conta Thomas Samtmann, CEO da CamToy.

Foi assim que, há um ano e meio, nasceu a Laika, um pequeno robot cor-de-rosa “companheiro dos cães, que permite aos donos interagir com os seus animais de estimação a partir de qualquer lugar, utilizando o smartphone”, explica.

“A Laika consegue deslocar-se, de forma autónoma, para qualquer lugar da casa, atrás do cão, consegue falar com ele e transportar biscoitos”. Se o dono estiver ocupado, a Laika é capaz de brincar com o animal — no caso dos cães mais ativos — ou ir verificar, de tempos a tempos, se está tudo bem com ele — caso estejam a dormir ou em convalescença.

A próxima etapa é dar à Laika alguma inteligência, “para que seja capaz de aprender com a interação e adaptar o seu comportamento ao do cão”, explica Thomas.

9.

Precisa de um empurrãozinho para começar a andar mais de bicicleta? É a Biklio

créditos: MadreMedia/DR

Andar de bicicleta faz bem à saúde, ao ambiente e à cidade. Então, porque não recompensar as pessoas que utilizam este meio de transporte? Foi este o pensamento de João Bernardino, fundador da Biklio, uma aplicação que dá prémios – brindes, descontos, etc. – aos ciclistas.

É muito simples, diz Bernardino: “a aplicação percebe quando é que estamos a andar de bicicleta, não a precisamos de ligar e no final da viagem agradece o facto de termos ido de bicicleta e dá-nos um conjunto de descontos em ‘x’ lojas”.

A Biklio teve a oportunidade de participar no Pitcher, no stand do SAPO, com um mentor especial: Fernando Medina.

Atualmente, a aplicação já tem mais de 800 utilizadores e 40 lojas inscirtas.

10.

Bom dia. Queria encomendar um chefe de renome para fazer o jantar, pode ser?

créditos: MadreMedia/DR

A Supper Stars e uma plataforma que lhe permite levar os melhores chefs do país a cozinhar em sua casa, sem qualquer tipo de preocupação. “Nós temos chefes no país inteiro, de norte a sul do país, cerca de 30 chefes. Nós vamos a casa do cliente, aproximadamente duas horas antes da refeição e preparamos um jantar top com chefes com um alto histórico, alguns com estrelas Michelin”, diz João Ribeiro, diretor de Operações, ao SAPO24.

A empresa foi uma das convidadas no stand do SAPO, para o Pitcher, e lá João contou como nasceu a ideia: “os dois fundadores da empresa trabalhavam juntos na BCG – uma consultora – e depois de alguns momentos em confraternização perceberam que havia uma falha na oferta em relação a jantares em casa, uma coisa cómoda”, explica.

“Eles têm filhos e perceberam que não era possível ter uma qualidade ‘top’ sem grandes chatices e a um preço acessível. Começaram a estudar algumas hipóteses e apareceu a Supper Stars”, conclui João.

Entrando no site o processo é todo explicado e passa por quatro fases: escolher um chefe, reservar um menu, desfrutar da refeição e partilhar a experiência. Ah, e não se preocupe eles prometem deixar a cozinha ‘num brinco’.

Veja mais sobre

  • Lisboa, a capital da tecnologia

    4 dias, 70 mil pessoas, 1200 oradores, 2000 jornalistas e 11 mil CEO’s. A Web Summit está de regresso ao Parque das Nações de 4 a 7 de novembro.

Veja também

Em Destaque

Últimas