• Atualidade
  • Economia
  • Desporto
  • Vida
  • Tecnologia
  • Local
  • Opinião
Mais

Resistiremos

Este artigo tem mais de 1 ano

A opinião de

Para muitas pessoas, nas quais me incluo, as eleições e os resultados foram um desastre de proporções gigantescas. Eu pensei em emigrar mal vi as primeiras projeções. Porque nada será pior do que reconhecer que vivo noutro planeta. Porque as pessoas do meu país premeiam mentirosos, ladrões, corruptos e pedófilos.

Porque estamos no mesmo caminho daquele país que tem um presidente que é um agressor sexual condenado. Porque o crime compensa e não é apenas nas zonas interiores com maiores queixas, com menos oportunidades. Porque a esquerda deixou de ter o peso que tinha como garante de igualdade. Porque… as razões amontoam-se.

A estas acrescem os estudos que provam que os homens, sobretudo os mais novos mas não só, votam à direita como ação diretamente relacionada com a posição das mulheres na sociedade civil, no mercado de trabalho e na academia. Votam à direita para garantir que a desvalorização das mulheres continua. Tudo isto é de uma imensa tristeza e terá resultados graves.

Muitas pessoas riem-se da ideia de uma estratégia de extrema direita concertada internacionalmente, com uma agenda específica. Talvez não se riam tanto quando lhes tocar. Porque, já se sabe, quando é pessoal passa a ter outra leitura. Agora, resistimos. Não temos outro remédio.

Sophia de Mello Breyner escreveu: “Vemos, ouvimos e lemos /Não podemos ignorar/ Vemos, ouvimos e lemos/ Não podemos ignorar”. Não há como ignorar, por isso importa resistir. E isso significa estar atento. Ainda haverá quem esteja, tenho a certeza.

Veja também

Em Destaque

Últimas