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Maio Progressista

Este artigo tem mais de 2 anos

A opinião de

  • Miguel Videira Dias

Se o 25 de Abril em Lisboa é sinónimo de descer a Avenida, o Primeiro de Maio é dia de subida. Claro está que no dia do trabalhador teria sempre de ser mais árduo. De resto não podia ser de outra forma, ou não tivessem todos os direitos laborais, agora dados como adquiridos, sido conquistados…

A materialização dos nossos direitos laborais muito se deve a estes homens e mulheres que sempre gritaram justiça, igualdade, solidariedade e progresso, mesmo em tempos escuros de cerceamento de liberdades. É fundamental nunca esquecer …

Já são muitos os anos seguidos e sem interrupção os quais me junto a sindicatos, comissões de trabalhadores, associações várias e milhares de cidadãos e cidadãs na praça Martim Moniz e subo a avenida Almirante Reis até à Alameda, onde, aí chegado, me espera a justa e merecida “mini” final, esse “símbolo do proletariado”.

Digo “junto, subo, chego”; conjugo verbos na primeira pessoa do singular, mas sou, ali, sujeito colectivo de facto. Estamos juntos e unidos subimos a avenida até chegarmos à Alameda. Esta é a postura que devemos ter em sociedade. A persecução do bem-comum, de direitos abrangentes, de progressismo conjunto. Com palavras de ordem e ordem na luta concertada!

Muito caminhámos desde 1974. Muito progresso nestes 50 anos. Mas há tanto ainda por alcançar. A forma socio-económica como nos organizamos faz do trabalho pedra de toque. Se assim é sejamos pragmáticos. Tentemos tirar o máximo de benefícios e que soframos o mínimo possível. No estádio civilizacional em que nos encontramos, e com a evolução tecnológica recente e constante, aproveitemos para nos livrarmos das tarefas físicas, mecânicas e repetitivas e que, como isso, consigamos conquistar mais tempo para nós e para os nossos. Na realidade, já não devíamos estar a exigir a redução da jornada laboral para 35 horas semanais, mas antes a implementar uma semana de 4 dias, com a manutenção do horário diário em 7 ou 8 horas máximas. Isso sim é uma visão progressista para o mundo do trabalho, para a qual espero que as estruturas de representação colectiva dos trabalhadores acordem brevemente, abraçando esta causa.

Para aqueles que entendam que existe muito por fazer antes de chegar a esta exigência relembremos que a luta pela conquista de direitos laborais não deve ser priorizada. A importância de cada causa vai depender de cada indivíduo. Se a medida é progressista, se diminui desigualdades, se contribui para uma melhoria na vida do Trabalhador, então: é para reivindicar! Porque o sindicalismo deve estar, como sempre, na linha da frente e trazer novas bandeiras para a discussão conjunta.

 

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