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Lamento informar-me, mas a culpa da crise migratória talvez seja mesmo minha

Este artigo tem mais de 10 anos

A opinião de

Indignado, como não podia deixar de estar, com o horror humanitário que vejo acontecer nos dois lados do Mediterrâneo (ainda que vá muito mais África adentro) e, como bom português, de dedo em riste para pedir contas e apontar culpas, de preferência a políticos, nas redes sociais, com culpa formada, nomes apontados como não faria…

Como eu, houve naturalmente que se indignasse muito mais e muito melhor. A indignação por causas humanitárias é das que pode proporcionar melhores momentos de verve, que também é necessária, para despertar consciências, para tocar sensibilidades, mas, à noite, ouço o resumo dos “corpos” do dia e assomam-me perguntas como bofetadas, que, assim, doem.

Consigo pensar em tudo o que apontei a outros não terem feito, mas não tenho resposta ao perguntar-me uma, uma coisa que eu tenha feito, a não ser criticar quem nada fez. Choca-me que se ergam muros, mas não estou à porta das embaixadas dos países que o fazem, a protestar. Lugar comum? Talvez, pode ter muitos nomes – hipocrisia, falso moralismo. Com Timor chamou-se Liberdade. Saí de casa. Estive lá. Não sei se fiz a diferença mas estive, protestei, ajudei, acolhi, alimentei.

Eu não quero um dia não estar numa praia portuguesa quando a culpa vier cá morrer.

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