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As manobras militares chinesas em volta da ilha de Taiwan, designadas por Pequim “Missão Justiça 2025”, são as sextas no espaço de três anos. Foram iniciadas sem o habitual pré-aviso e nunca envolveram tantos meios e nunca se aproximaram tanto da ilha rebelde ao poder de Pequim: envolvem 28 navios de guerra e 89 aviões de combate. Há uma inédita distribuição abundante, pelo comando militar chinês, de imagens dos exercícios em curso: num dos vídeos aparece ao fundo o arranha-céus 101 que com os 509 metros de altura é símbolo do orgulho de Taiwan. Nos exercícios que cercam toda a ilha, e que bloquearam o acesso aos portos de Taiwan e perturbaram o movimento aéreo comercial, está a ser usada munição real.
Os exercícios estão concentrados em cinco zonas classificadas como de exclusão aérea durante as manobras e também implicam bloqueio dos principais portos. A zona de exercícios chineses atravessa, pela primeira vez, o perímetro de12 milhas considerado como de defesa de Taiwan.
O momento destas manobras, que na realidade cercam Taiwan, é explícito: é resposta imediata ao anúncio do fornecimento de armamento militar dos EUA a Taiwan no valor de mais de onze mil milhões de dólares.
Nas redes sociais nos canais do Exército de Libertação Popular (ELP) — o nome oficial das forças armadas chinesas — há vídeos com uma legenda que contem a ameaça: “Como se atrevem sequer a tentar ser independentes?”
Sopram assim fortes ventos de ameaça de guerra no Pacífico, em volta de Taiwan, a ilha que se declara independente, com regime democrático plural desde 1949, mas que Pequim considera como uma das suas províncias, sobre a qual pretende retomar rapidamente a soberania.
Esta intenção do dragão chinês de recuperar Taiwan está explícita no nome dado a estes exercícios militares: “Missão de Justiça”. O comando militar de Pequim assume tratar-se de “sério aviso contra a independência e a interferência externa”.
Analistas peritos na geopolítica da região admitem que estamos perante o prelúdio para uma invasão, que pode acontecer a qualquer momento.
Taiwan responde à ameaça com contínuo aumento dos seus gastos em defesa e adquirindo armas cada vez mais modernas e sofisticadas. Washington, que não mantém relações diplomáticas formais com Taiwan, continua a ser o maior aliado e fornecedor de armas ao governo da ilha.
O ministério da Defesa de Taiwan declarou estes exercícios militares “altamente provocatórios e imprudentes”, acrescentando que “prejudicam seriamente a paz e a estabilidade regional”.
Em Washington, Donald Trump disse esta semana não estar preocupado com estas manobras, afirmando que “não acredita” que o seu homólogo chinês, Xi Jinping, ordenasse uma invasão de Taiwan.
Mas a China não esconde que se dispõe a usar a força militar para, chegado o momento, tomar Taiwan. Ao discursar em Pequim, durante a conferência anual de relações internacionais, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, declarou que qualquer tentativa de impedir a unificação da China e de Taiwan “acabará inevitavelmente em fracasso”.
O Japão, agora com a primeira-ministra nacionalista Sanae Takaichi, também se junta a esta alta de tensão em volta de Taiwan Apesar das limitações bélicas impostas ao Japão na sequência da Segunda Grande Guerra, a chefe do governo de Tóquio já comentou que um ataque da China a Taiwan poderia representar uma ameaça o suficiente para a levar a intervir. Esta é uma mudança profunda na postura do Japão, contribuindo para alimentar os ventos da guerra no Pacífico.
Paira esta ameaça com consequências imprevisíveis.
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