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A consciência não é um lugar para colectivos animados

Este artigo tem mais de 2 anos

A opinião de

Como ouvir comentários sobre cenários de guerra que assentam na ignorância do contexto histórico e ficar calado? A maioria das pessoas banalizou a guerra. As asneiras que fazemos, diariamente, afectam o futuro da humanidade.

Pessoas que gostam de mim na medida da minha utilidade são muitas, porventura demasiadas. Pessoas que acreditam piamente que me conhecem também são umas tantas. Pessoas que consideram que a minha opinião vale mais ou menos o mesmo que a imagem habitual do porco a andar de bicicleta, admito, são outro punhado. Pessoas boas também existem ao meu redor, é uma verdade. E esta conversa tem a ver com o quê? Com uma lição que o tempo às vezes concede: aceitamos quem nos quer bem, ignoramos os restantes. Não perdemos energia. Não somos bonzinhos. Esquecemos o politicamente correcto a favor do que está certo para nós.

Alto, já há quem pense no egoísmo e variantes, não se trata disso mas sim de simplificar a existência. Não temos de ser super-heróis. Não precisamos de resolver tudo. Precisamos de aprender a viver sem grande stress e, no estado em que o mundo se encontra, convém que esta aprendizagem seja rápida.

O tempo é o único elemento que nos foge, tudo o resto podemos recuperar: dinheiro, amor, até saúde, mas o tempo foi-se. Uma das realidades que nos entra pela vida adentro é o cenário internacional de guerra – na Ucrânia há demasiado tempo, no Médio Oriente idem. Outra vê-se da janela, o calor desmedido, a mudança drástica do clima. E a pasmaceira em que vivemos, a pensar que nada disso importa? Pois. Perante estes cenários, além da crise económica, da habitação, da justiça, da saúde, da educação, talvez tenha chegado o tempo de sermos verdadeiros e isso, nos dias que vivemos, paradoxalmente implica uma certa hipocrisia.

Quanto não estamos disponíveis para tanto, como gerimos a nossa vida? O que fazemos à malta que vive no “achismo” sobre nós e sobre a forma como conduzimos a nossa vida? Como coexistimos com pessoas que se estão nas tintas para aquilo que nos importa? Como ouvir comentários sobre cenários de guerra que assentam na ignorância do contexto histórico e ficar calado? A maioria das pessoas banalizou a guerra. As asneiras que fazemos, diariamente, afectam o futuro da humanidade. Como havemos nós de encarar tudo isto com bonomia? A resposta é: com dificuldade e numa solidão crescente. A consciência não é um lugar para colectivos animados. Felizmente.

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