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O estranho negócio entre Benfica e Corinthians

Este artigo tem mais de 6 anos

As manchetes de todos os jornais estamparam duas negociações a envolver o Corinthians e o Benfica nesta última janela de transferências. Primeiro, o interesse das águias no jovem Pedrinho, especulado em torno de 20 milhões de euros e a posterior inclusão de Yony González, que acabou vendido aos brasileiros sem sequer se estrear na Luz.

Yony, avançado que se destacou no Fluminense em 2019, foi contratado pelo Benfica em dezembro, a custo zero, no final do seu contrato com o Tricolor Carioca. Inicialmente apontado como moeda de troca na aquisição de Pedrinho, Yony foi emprestado ao Corinthians com uma cláusula obrigatória de transferência a meio do ano.

Os media citam um valor de 2,8 milhões de euros parcelados por 50% dos direitos do jogador (Yony é avaliado em 2,3 milhões de euros, na totalidade do seu passe, pelo site Transfermarkt – uma grande diferença). Já Pedrinho, a princípio, continua no Corinthians.

Ou seja, o Corinthians poderia ter contratado o jogador, sem pagar nada, em dezembro. Provavelmente deve ter negociado com o seu empresário, assim como outros clubes, nesta época. Viu a sua proposta ser rejeitada em prol de uma proposta maior ou de uma preferência por disputar competições europeias na boa vitrina que é o Benfica. Mas agora contrata o jogador pagando certamente mais do que ofereceu em salários e luvas. Se não chegou a negociar na altura, foi muito incompetente em perder esta oportunidade.

Do lado do jogador, tem todo o direito de escolher onde quer jogar. Escolheu, entre as ofertas que recebeu, a oportunidade de vestir as cores do Benfica e ganhar espaço dentre as opções ofensivas de Bruno Lage. Será que vai sequer chegar a pisar o relvado da Luz com a camisola encarnada. Será que ele sabia disto quando assinou?

E o Benfica? Pretendia usar o jogador quando o contratou, mas errou no scouting? Ou foi um brilhante comerciante, comprando uma mercadoria barata e revendendo-a mais cara?

A verdadeira história desta e de outras contratações deste tipo mora nas entrelinhas e nos personagens ocultos, os empresários. Está claro que alguém (ou alguns) ganhou muito dinheiro nesta transação.

Na continuação desta história, segue a possibilidade de fechar a contratação de Pedrinho, jovem promissor das fileiras corintianas. O médio é, sim, um talento promissor e bom jogador. Surgiu como melhor jogador da Copa SP de Juniores em 2017 e desde então tem crescido em importância ao Corinthians. Entretanto, ainda não se afirmou como um jogador regularmente decisivo para o clube e alterna bons momentos com partidas apagadas, sendo que, às vezes, fica claro que ainda não tem o físico necessário para aguentar a carga de jogos ao nível profissional.

Tem jogado aberto pelo lado direito, mas prefere atuar como médio avançado mais centralizado. Tem potencial e deve tornar-se num jogador importante, mas ainda é uma aposta um tanto arriscada se for contratado por 20 milhões. Ou nesse caso, apenas 17, já que o Corinthians terá que arcar com Yony Gonzalez. Não é uma história muito bem contada e precisamos de analisar esses pormenores, pois estas transferências vão muito além do ganho técnico dentro de campo.

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