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NBA: um triplo e um manguito


Este artigo tem mais de 7 anos


Em outubro, era aqui que todos esperávamos estar em maio, no quarto round do duelo Cavaliers vs. Warriors. Mas o caminho que nos trouxe até aqui não foi nada como esperado.


Quando se iniciou esta temporada da NBA, uma quarta final consecutiva entre os Cleveland Cavaliers e os Golden State Warriors parecia ser o desfecho inevitável da mesma. Em outubro, não parecia haver alternativa realista, nem alguma equipa capaz de impedir este cenário. Mas a temporada regular encarregou-nos de nos dar esperança no contrário. 
No Este, os Boston Celtics sobreviviam à lesão de Gordon Hayward de uma forma que não se imaginava possível, os Toronto Raptors aparentavam ser uma ameaça a sério e, com uns Cavaliers em níveis históricos de disfuncionalidade e vulnerabilidade, a coroa do Este parecia mais acessível do que nunca.
 No Oeste, os Rockets dominaram a temporada regular e conseguiram aquilo que ninguém julgava possível: terminar em primeiro lugar, à frente dos Warriors. E deixar-nos a todos a salivar pelo encontro entre as duas equipas na final de conferência.

Quando os playoffs chegaram, a esperança duma final com outros protagonistas só cresceu e, em abril, “Cavs vs. Warriors IV” estava longe de ser uma garantia. Como as finais de conferência nos provaram. Por isso, antes da bola ao ar nas Finais da NBA, fazemos aqui uma espécie de balanço dessas emocionantes séries finais de Este e Oeste na forma de um trio de elogios aos seus maiores heróis. E de um manguito para os maiores vilões.

O primeiro elogio é para Brad Stevens. O mágico Brad Stevens, que tira coelhos da cartola mais rápido do que David Copperfield faz desaparecer pessoas. Primeiro, sem Gordon Hayward na temporada regular, e depois, sem Hayward e Kyrie Irving nos playoffs, o técnico dos Celtics fez milagres com os jogadores que tinha à sua disposição e conseguiu espremer uma produção impensável de um plantel dizimado pelas lesões. Um mestre da táctica e um génio das jogadas após descontos de tempo, Stevens levou um plantel de recurso e segundas figuras até à beira das Finais.

O segundo elogio é para os jogadores dos Boston Celtics. Porque se Brad Stevens recebe sempre todos os elogios e se os elogios aos técnico de Boston são justificados e merecidos, os seus jogadores merecem tantos elogios como ele. Porque um treinador, mesmo um com os melhores planos do mundo, precisa sempre de jogadores para executar o seu plano. E os dos Celtics foram exemplares nisso. Em abril, quando Irving se lesionou, todos pensámos que a temporada da equipa de Boston estava condenada. Mas ficaram a um jogo das Finais. Impensável e inacreditável.

Planeamento e execução. Qualquer equipa depende destas duas coisas para ser bem sucedida. Parabéns a Brad pela primeira, parabéns aos jogadores pela segunda. 


O terceiro elogio é para LeBron James. Porque se Stevens é mágico e os jogadores dos Celtics são uns guerreiros, LeBron é um extra-terrestre. Aos 33 anos, carregou a equipa às costas, assinou exibições épicas, lidera os playoffs em pontos, ressaltos e assistências, é o jogador com mais minutos jogados e leva um plantel desequilibradíssimo e com falhas profundas até às Finais.
Nunca uma equipa que terminou a temporada regular com uma das três piores defesas tinha vencido uma série de playoffs. Repetimos: até agora, nunca, na história da liga, uma equipa que terminou com uma das três piores defesas tinha vencido qualquer série de playoffs. Os Cavaliers (que foram a segunda pior defesa este ano) já venceram três até agora. E o mérito é todo de LeBron James. Dêem-lhe quatro tipos do Inatel e LeBron leva-os a disputar o troféu Larry O’Brien.

E, por último, um manguito – um grande manguito, um enorme manguito, um manguito feito com os braços de envergadura recorde do Mo Bamba – para os deuses do basquetebol, que nos privaram de um duelo Rockets vs. Warriors na máxima força e do que poderia ter sido uma eliminatória para a história. Chris Paul não merecia, a final do Oeste não merecia e os fãs não mereciam. Essa será sempre a questão que ficará nas mentes de todos os fãs. E se Chris Paul não se tivesse lesionado? Mas as lesões fazem parte do jogo. Por isso, resta-nos amaldiçoar os deuses do basquetebol.

Assim, embora de forma mais acidentada do que antecipado, eis-nos chegados à final esperada.

E agora, o que nos aguarda? Uma vitória fácil dos Warriors? Enquanto houver LeBron James há sempre esperança num milagre. LeBron consegue fazer melhor do que ninguém aquilo em que os Rockets tiveram sucesso com os Warriors (isolamentos e transformar o jogo numa sucessão de jogadas e um-contra-um). Enquanto tiveram Chris Paul e James Harden a revezarem-se nesse papel, conseguiram colocar a equipa de Golden State em dificuldades. Quando ficou apenas James Harden a fazê-lo, este não teve gás para carregar esse fardo sozinho. Se há alguém capaz de o fazer é LeBron. Mas, se calhar, isto somos nós a ser optimistas e a desejar uma série final renhida e imprevisível. Se calhar, neste caso, já será milagre suficiente termos umas Finais equilibradas. A ver vamos. Já falta pouco para começar.

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