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NBA: Afinal havia outras

Este artigo tem mais de 8 anos

Se estas duas semanas de NBA nos mostraram alguma coisa foi que há muitas razões para não perder esta temporada.

“Afinal havia outra”, revelava, há uns anos, uma conhecida cantora popular aos portugueses. E, acrescentava ela, que sem nada saber, sorria. Esta mesma desiludida e chocada constatação, poderão ter, daqui a uns meses, alguns fãs da NBA mais distraídos, aqueles que pensam que esta temporada vai ser apenas um longo e aborrecido prelúdio para as quartas Finais consecutivas entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors, que esta época já está decidida e que poucos motivos têm para ver os jogos este ano.

Fãs que, seguramente, perderam estas (pouco mais de) duas primeiras semanas de ação. Porque, sim, o desfecho da temporada (salvo alguma lesão, bate na madeira) pode até estar decidido e, em circunstâncias normais, ninguém deverá derrotar os Warriors e estes serão campeões de novo. Mas, até isso acontecer (se isso acontecer), afinal há muitas razões para acompanhar mais uma época da melhor liga de basquetebol do mundo:

Os melhores rookies dos últimos anos

Esta é uma das melhores colheitas de caloiros dos últimos anos, com muitos nomes a fixar e vários jogadores que serão estrelas nesta liga: Jayson Tatum (um talento ímpar, com um arsenal ofensivo como poucos, com uma confiança e maturidade raras para a idade e que está a mostrar porque os Celtics não se importaram de trocar a primeira escolha no draft pela terceira), Ben Simmons (tecnicamente não é desta colheita, mas estreou-se este ano, depois de ter perdido a época passada por lesão; é um triplo-duplo ambulante e um encaixe de pesadelo, um jogador com altura de poste e visão de jogo de base), Lonzo Ball (outro triplo-duplo ambulante, um miúdo com uma capacidade de passe que não se via desde Jason Kidd e Steve Nash, mas que, infelizmente, devido ao seu demente pai, está a sofrer um escrutínio ridículo e a jogar com um alvo nas costas), Dennis Smith Jr (um Damian Lillard em potência, que foi a nossa aposta para surpresa no prémio de Rookie do Ano), D’Aaron Fox, Lauri Markkanen, Josh Jackson ou Malik Monk. Sem esquecer Markelle Fultz, o jogador escolhido na primeira posição do draft, que já sucumbiu à maldição dos Sixers e está lesionado na sua época de estreia, mas que é outro dos maiores talentos desta safra.

Os jovens Celtics

A propósito de jovens, os dos Boston Celtics estão a dar muito boa conta de si depois da horripilante lesão de Gordon Hayward. O rookie Jayson Tatum e o jogador de segundo ano Jaylen Brown foram obrigados a assumir um papel principal na equipa e estão a aproveitar a oportunidade da melhor forma. Se Gordon Hayward recuperar a 100% e regressar ao seu nível All-Star, esta lesão até poderá ter sido um mal que veio por bem e, a longo prazo, ter ajudado a equipa. Acompanhar este verdadeiro curso intensivo de competição que os miúdos de Boston estão a ter, e ver como se estão a sair tão bem, está a ser uma das melhores coisas desta época.

O Greek Freak Show

Até os fãs mais distraídos devem estar a par desta. O jogador grego dos Milwaukee Bucks está a fazer um dos melhores inícios de época de sempre (31.3 pontos, 10.6 ressaltos e 5.3 assistências de média nos primeiros oito jogos) e a subir rapidamente na hierarquia de estrelas da liga. Se no ano passado assistimos ao Russell Westbrook Show, este é o ano do Greek Freak Show.

As novas personagens do Russell Westbrook Show

A propósito desse premiado espectáculo da época passada, Paul George e Carmelo Anthony são os novos co-protagonistas. E está a correr bem. Sim, Russell Westbrook, Paul George e Carmelo Anthony estão na mesma equipa e, ao contrário do que todos pensávamos, não está a correr mal.

Westbrook está a passar mais a bola e a deferir para os seus colegas (até passou a Carmelo para o último lançamento!), Paul George está a jogar de forma muito eficiente e a aproveitar da melhor forma os espaços abertos pelos outros dois e Carmelo está a jogar na sua versão FIBA. Para já, tudo corre bem para os Oklahoma City Thunder, mas, de qualquer das formas, corra bem ou mal, é um espectáculo imperdível.

Milos Teodosic

Já vos dissemos que a estrela do basquetebol europeu foi para a NBA?

A ressurreição de Dwight Howard

Parece que foi no século passado, mas a verdade é que não foi assim há tanto tempo que Dwight Howard era um poste dominante na liga. Dominar pode ser exagerado para o que anda a fazer este ano, mas pelo menos Howard voltou a ser relevante. Depois de anos perdidos (ora por lesões, ora por passagens infelizes por várias equipas), reencontrou um sistema onde encaixa bem e uma equipa que aproveita os seus pontos mais fortes, e está a ser um dos responsáveis pela boa época dos Charlotte Hornets.

Aaron Gordon

Que a qualquer momento pode fazer coisas destas:

Jerami Grant

Que, a qualquer momento, pode fazer coisas destas:

Os Clippers

Os Los Angeles Clippers continuam bons e as notícias da sua derrocada foram manifestamente exageradas. Perderam Chris Paul, mas têm assegurado a produção na posição por comité (entre Milos Teodosic, Patrick Beverley e Austin Rivers) e com Blake Griffin (que é um excelente passador) com um papel mais central no ataque. E este ano têm, finalmente, o extremo (small forward) que faltou sempre nos anos anteriores. Já esperávamos que os Clippers fossem melhores do que muitos auguravam, mas estão a superar as expectativas.

Os Grizzlies

E os Memphis Grizzlies idem. Depois de anos a jogar “na marra”, com um estilo de jogo lento e da velha guarda, a equipa do Tennessee reinventou-se com jogadores jovens a atléticos e reconstruiu-se muito mais rápido do que alguém imaginava. Esperava-se que esta fosse uma temporada de transição e afinal parece que vamos ter de continuar a contar com eles. Grit’n’… não, espera, agora é Grit’n’Run’n’Shoot.

Milos Teodosic

Já tínhamos dito que Milos Teodosic está na NBA?

No fim de contas, em junho, podemos (devemos?) mesmo acabar por ter o quarto ato de “Cavaliers vs Warriors” e a equipa de Stephen Curry, Kevin Durant e companhia a levantar o troféu Larry O’Brien. Mas, até lá, há muita coisa para ver e tanta coisa para apreciar e desfrutar. Até podemos saber como termina este filme, mas pelo meio há tantas cenas imperdíveis e que vale a pena assistir… Estas são apenas algumas delas. Estas são algumas das razões para não perder mais uma temporada do melhor basquetebol do mundo. Qual é a vossa?

Márcio Martins já foi jogador, oficial de mesa, treinador e dirigente. Atualmente, é comentador e autor do blogue SeteVinteCinco. Não sabe o que irá fazer a seguir, mas sabe que será fã de basquetebol para sempre.

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