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Manchester City Guardiola Club

Este artigo tem mais de 9 anos

Este é claramente um Manchester City à imagem de Pep Guardiola e o primeiro derby da época ajudou, não só a perceber isso, mas muito mais. O estilo do treinador catalão veio para ficar e atualmente já é possível perceber como jogam os Blues, que soluções têm e como Pep se adaptou tão rapidamente ao…

Guardiola tornou-se, com a vitória sobre o Manchester United, no quarto treinador da história a ganhar os seus primeiros quatro jogos da Premier League, juntando-se, assim, a José Mourinho, Guus Hiddink e Carlo Ancelotti. No total, Pep leva seis vitórias em seis jogos oficiais.

Tal como escrevi na semana passada, também Pep terá pensado que Rashford e Martial seriam sérias opções ao onze titular de Mourinho e, por isso mesmo, optou por ser pragmático e não utilizar um esquema tático que exigisse a ’inversão’ dos defesas-laterais para posições centrais quando o City estivesse na posse da bola. Assim, reconhecendo o perigo das alas do United – que, na verdade, acabou por ser não existir –, Guardiola foi conservador e “permitiu” à sua equipa um jogo mais simples. Desta forma, o City apresentou-se paciente com bola, a utilizar as rotações do seu triângulo “interior” para penetrar na faixa central e a recorrer ao triângulo “exterior” (com o suporte de Kolarov e Sagna) para desequilibrar nas alas. Uma tática simples, que resultou na perfeição e que mostrou que De Bruyne e David Silva são, claramente, os motores ofensivos dos Blues.

Pep Guardiola em ação durante o jogo em Old Trafford entre Manchester United e Manchester City

Um plantel recheado de estrelas

O plantel do Manchester City é, desde que o investimento árabe chegou ao clube há uns anos, consecutivamente considerado um dos melhores do mundo. Vejamos então as soluções ao dispor de Guardiola. Na baliza, o chileno Claudio Bravo vem dar o que poucos guarda-redes dão. Jogando fora da área, acrescenta “paciência” à posse de bola do City e apresenta-se como uma solução extra de passe. Os defesas‑centrais John Stones e Otamendi providenciam, respectivamente, poder aéreo e capacidade de penetração no meio campo – no início de época Otamendi levou algum tempo a convencer Guardiola mas agora é, de longe, o patrão da defesa. Nas alas, Pep tem tudo menos problemas: Sagna, Zabaleta, Kolarov e Clichy dão experiência, competência a cruzar, velocidade, capacidade de jogar pelo corredor central, enfim, um leque de opções invejável que permite a Guardiola escolher consoante a tática que queira utilizar.

No meio-campo, Fernandinho mostra ser um exemplo claro da capacidade de adaptação do catalão às qualidades dos seus jogadores. Tendo capacidade técnica para virar jogo e fazer passes de rutura, terá menos capacidade de quebrar linhas em drible. Daí que Guardiola, em jogos de total domínio, lhe peça para recuar para o meio dos centrais, deixando para jogadores mais capazes tecnicamente as posições no meio campo que necessitam de mais rotação e penetração com a bola no pé – a “inversão” dos laterais “entra” aqui. Num jogo contra uma equipa mais forte, como é o United, Fernandinho já pode ocupar essa posição, visto haver mais espaço e também uma maior ameaça nas alas para os defesas do City. O brasileiro teve, então, a responsabilidade de “varrer” toda a zona central à frente da defesa dos Blues e fê-lo com nota dez.

De Fernandinho para a frente, não há muito que enganar. O onze-base completa-se com Nolito e Sterling bem abertos nas alas e um triângulo “interior” composto por David Silva, Kevin De Bruyne e, em condições normais, Sergio Aguero. Recorrendo a uma constante rotação, quem conseguir receber um passe no interior desse triângulo tem capacidade técnica para, a partir desse momento, começar a criar perigo com penetrações e combinações.

Uma última nota para o banco de luxo dos Blues: Ilkay Gundogan, Jesús Navas, Vincent Kompany, Fabian Delph, Yaya Touré, Leroy Sané e Iheanacho são algumas das soluções a que o catalão pode recorrer, todos eles jogadores com capacidade de serem titulares na maior parte dos clubes do mundo.

Jogadores do Manchester City celebram um golo

Os três vectores de Guardiola na adaptação à Premier League

Pep adaptou-se rapidamente ao campeonato inglês, recorrendo a três vectores fundamentais que foram bem visíveis no derby de Manchester. Em primeiro lugar, paciência e risco a sair a jogar, mas só até certo ponto. De facto, quando pressionada, a equipa do City não tem problemas em aliviar a pressão recorrendo a passes longos. As características dos jogadores e o pouco tempo de trabalho podem estar na causa dessa solução, muito pouco “guardioliana”. Contra o United, por mais de dez vezes – e apenas na primeira parte! – o City colocou a bola na frente através de passes longos. Ainda assim, o interessante é perceber que o fez, mas com a lição bem estudada. Na maioria das vezes os Blues foram mesmo capazes de ganhar as chamadas “segundas bolas” e reter a posse de bola já no meio campo dos Red Devils.

Depois, a adoção de mexidas táticas como, no caso do último jogo, a entrada de Fernando para a saída do homem mais avançado, Iheanacho. O que poderá parecer apenas uma substituição é, a meu ver, uma demonstração de humildade. Pep percebeu que, em Inglaterra, nem sempre poderá estar em controlo do jogo. Assim, com o United a bombear constantemente a bola para a frente, Guardiola refletiu, mudou de estratégia e resignou-se a apostar maioritariamente no contra-ataque. O mais impressionante é o fato da substituição ter acontecido apenas sete minutos após o início da segunda parte, o que demonstra que a perceção e reação aos acontecimentos do jogo foi muito, muito rápida.

Por fim, o respeito por jogadores fisicamente fortíssimos. Martial, Rashford, Valencia, Sadio Mané, Alex Oxlade-Chamberlain, Michail Antonio, Sturridge ou Willian são atletas de clubes adversários que “obrigam” Guardiola a ajustar a sua forma de jogar, provando que veio para se adaptar à Premier League, mais do que para impor o seu estilo num campeonato com características muito próprias.

A única grande questão que falta colocar é: como estará este City com mais dois meses de trabalho? Demolidor? Quanto ao campeonato, o destaque desta semana acontece já hoje. A abrir a jornada, o Liverpool coloca um ponto final ao infernal início da competição, em que jogou com quatro potenciais candidatos aos lugares cimeiros da tabela nas cinco primeiras jornadas. O adversário é o Chelsea, de Antonio Conte.

Pedro Carreira é um jovem treinador de futebol que escolheu a terra de sua majestade, Sir. Bobby Robson, para desenvolver as suas qualidades como treinador. Neste momento a representar a academia do Luton Town, deseja fazer aquilo que nenhum outro treinador português fez: ir do 4º escalão das Ligas Inglesas até ao estrelato da Premier League. Até lá, podemos sempre ir lendo as suas crónicas.

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