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Web Summit: Marcelo adverte para ameaças à privacidade e propõe “reinvenção da democracia”

Este artigo tem mais de 6 anos

O Presidente da República advertiu hoje para as ameaças tecnológicas à privacidade, às quais no seu entender os políticos e o direito não estão a saber responder, e considerou que se impõe uma “reinvenção da democracia”.

Marcelo Rebelo de Sousa abordou estes temas no seu discurso de encerramento Web Summit, em Lisboa, congratulando-se por terem sido abordados na edição deste ano desta cimeira tecnológica realizada pela quarta vez em Portugal.

“Falámos de privacidade, este ano, falámos sem medo de manipulação, que vem dos poderes políticos e económicos, porque sabemos que, infelizmente, a política e o direito estão muito atrasados no que respeita a enfrentar estes desafios”, disse, em inglês.

Numa intervenção de cerca de cinco minutos, o chefe de Estado defendeu a necessidade de “instituições internacionais mais fortes”, de “regras mais fortes” e de “uma democracia forte e uma cultura cívica em que ninguém é deixado para trás”.

Em declarações aos jornalistas, à saída da Web Summit, no Parque das Nações, Marcelo Rebelo de Sousa destacou esta parte do seu discurso. “Eu aí fiz uma prevenção: atenção, que os políticos e o direito não estão a conseguir lidar com isto, vão a correr atrás do prejuízo, não estão a conseguir”.

“Sabem que há o problema, sabem que é grave, mas não sabem como é que hão de enfrentar o problema, porque os poderes são muito poderosos. Outra questão que é a reinvenção da democracia. A democracia, num tempo de revolução digital muito rápida, revolução tecnológica, tem de se atualiza”, considerou.

O Presidente da República questionou, por exemplo, como “é possível ter instituições como as europeias fechadas durante um mês em agosto para férias” ou “ter instituições clássicas que funcionam a um ritmo que não é o ritmo das necessidades económicas, financeiras, científicas, tecnológicas deste tempo”.

“Atenção, não estamos a conseguir resolver alguns problemas colocados, por exemplo, pelos grandes poderes políticos, pelos grandes poderes económicos”, reforçou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, outro problema que persiste é “o problema do atraso de uma parte do globo e de uma parte da população, porque esta revolução digital é sobretudo dos mais jovens, e há uma fatia da população que tem de entrar nela, não pode ficar para trás”.

 

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