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A alternativa foi proposta pelo consórcio MEEC/SPIE, que integra a Mota-Engil e a Spie Batignolles Internacional, e implica um custo de cerca de dois milhões de euros, valor que será suportado pela Câmara Municipal de Lisboa.
Segundo explicou à revista SÁBADO o engenheiro civil Ricardo Teixeira Oliveira, esta decisão está longe de ser excecional. Apesar de existirem casos em que as tuneladoras são reaproveitadas, estes equipamentos são, na maioria das vezes, construídos à medida de cada obra. “Costumam ser fabricados para ser usados especificamente numa obra”, sublinhou.
O especialista explicou ainda que a entrada da máquina no subsolo exige uma infraestrutura de grandes dimensões. “É preciso construir um fosso de grandes dimensões para que a tuneladora possa entrar. Em termos de diâmetro, a máquina é mais ou menos equivalente ao diâmetro do túnel que está a fazer”, afirmou.
A tuneladora em causa mede cerca de 130 metros de comprimento, tem 6,4 metros de diâmetro externo e uma cabeça de corte com 70 toneladas, o que torna a sua remoção particularmente complexa.
Ricardo Teixeira Oliveira recorda também que a retirada do equipamento não é uma condição necessária para dar a obra por concluída. “Para construir o túnel não existe outra opção se não entrar no solo, mas para o concluir não é necessário que a máquina seja retirada”, explicou. Acrescentou ainda que, do ponto de vista ambiental, a solução pode ser vantajosa: “Cá fora, pode até ser desmantelada, mas é um equipamento muito grande, e do ponto de vista ambiental até pode ser mais viável deixá-la no subsolo”.
A decisão foi aprovada na reunião da Câmara Municipal de Lisboa de 10 de dezembro, tendo sido apresentada como a opção mais racional do ponto de vista técnico e financeiro.
Ainda assim, o engenheiro admite que há contextos em que a remoção faz sentido, apontando o exemplo da Madeira: “Na Madeira acontecia muito os túneis serem do mesmo diâmetro. Aí podiam ser retiradas e usadas noutros trabalhos. Provavelmente isso não se verifica no caso de Lisboa”.
O Plano Geral de Drenagem de Lisboa representa um investimento global de cerca de 250 milhões de euros e tem como objetivo proteger a cidade contra cheias e inundações, além de permitir o reaproveitamento de água.
A escavação do primeiro túnel, entre Campolide e Santa Apolónia, arrancou em 2023 e ficou concluída em julho deste ano. O segundo túnel, que ligará Chelas ao Beato, deverá estar finalizado em abril de 2026.
Citado no site oficial da Câmara Municipal de Lisboa, o presidente Carlos Moedas destacou a importância estratégica do projeto. “[Vai] proteger a cidade de cheias, inundações cada vez mais frequentes”, afirmou, sublinhando ainda que permitirá “reaproveitar a água para regar jardins, lavar ruas e combater incêndios”.
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