O edifício foi praticamente reconstruído de raiz nos últimos dois anos e a reabertura está prevista com a peça A Flor Escarlate, um conto tradicional russo. Em comunicado, a direção do teatro afirmou que “o teatro renasce juntamente com Mariupol” e que os clássicos russos e soviéticos regressam ao palco. Para o Kremlin, a reconstrução de Mariupol tornou-se uma montra da sua governação nos territórios ocupados da Ucrânia.
No entanto, antigos colaboradores do teatro criticam esta reabertura. Evgeny Sosnovsky, fotógrafo natural de Mariupol que trabalhou durante anos com a instituição e que se mudou para Kiev após a ocupação, defende que o local deveria ser transformado num memorial às vítimas. A atriz Vira Lebedynska, que também abandonou a cidade, tasmbém afirmou que realizar espetáculos no edifício reconstruído é uma afronta à memória dos mortos, sublinhando que “as almas das pessoas que ali morreram não permitirão que nada de bom aconteça naquele palco”.
O ataque ao teatro permanece um dos episódios mais simbólicos da guerra na Ucrânia, pois o edifício foi atingido apesar de a palavra “crianças” estar pintada em grandes letras no exterior, para assinalar a presença de civis. Embora a Rússia negue responsabilidade e alegue que a explosão ocorreu a partir do interior, várias investigações independentes concluíram que o bombardeamento foi causado por munições russas, tendo sido apontado como um possível crime de guerra.
