• Atualidade
  • Economia
  • Desporto
  • Vida
  • Tecnologia
  • Local
  • Opinião
Mais

Tártaros da Crimeia são aprisionados em hospitais psiquiátricos

Este artigo tem mais de 9 anos

Desde a anexação da Crimeia, há três anos, ativistas tártaros são presos em hospitais psiquiátricos desativados, denunciam ativistas dos direitos humanos.

As autoridades russas na Crimeia aprisionam cada vez mais ativistas dos direitos humanos em hospitais psiquiátricos, submetendo-os a abusos psicológicos. Para Robert van Voren, ativista holandês dos direitos humanos, “o número de casos aumentou consideravelmente nos últimos anos, em particular contra os tártaros da Crimeia e contra os ativistas ucranianos que se opõem à anexação da Rússia”, cita o The Guardian.

Emil Kurbedinov, advogado na Crimeia, diz que os ativistas enfrentam condições terríveis nos hospitais: “alguns são colocados em isolamento e ignoram-se as suas necessidades básicas. Outros são colocados junto de pessoas que têm vários problemas de saúde mental”. Entre dezembro e março, dez ativistas foram enviados à força para um hospital. Quatro permaneceram nas instalações e os restantes foram transferidos para uma prisão.

Para o advogado, que foi detido em janeiro, a libertação surgiu por via da Amnistia Internacional, que alegou que as acusações se prendiam unicamente com o seu trabalho para os direitos humanos. Kurbedinov viu nesta libertação o apoio de todas as pessoas, independentemente de serem ativistas ou não, que lhe “mostraram que a sociedade civil está viva e que as pessoas não são indiferentes às violações dos direitos humanos”.

Nos hospitais, os ativistas – que foram presos por suspeita de envolvimento com a Hizb ut-Tahrir, que a Rússia declarou como um grupo terrorista – são interrogados acerca das suas opiniões sobre o governo e são proibidos de falar com as famílias. Segundo Kurbedinov, “tudo isto viola o direito internacional”.

Segundo um relatório da Crimea SOS, um grupo ucraniano de defesa, 43 ativistas tártaros foram aprisionados desde a anexação da região. Entre estes, 18 encontram-se ainda desaparecidos e seis foram encontrados mortos.

Quanto à utilização da psiquiatria como forma de punir dissidentes, esta foi uma técnica utilizada nas últimas décadas da era soviética. No entanto, o atual presidente russo, Vladimir Putin, também já caiu sob suspeita de recorrer ao mesmo método. De acordo com Yuri Savenko, psiquiatra e chefe da Associação Psiquiátrica Independente na Rússia, esta é uma prática comum nos julgamentos criminais russos “onde não há provas concretas”.

Veja também

Em Destaque

Últimas