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Segundo o The Guardian, os talibãs emitiram uma nova ordem dirigida contra os salões de beleza clandestinos que continuam a operar em segredo por todo o Afeganistão, alertando as mulheres responsáveis de que terão apenas um mês para cessar atividade, sob pena de detenção.
A repressão não é inédita. Desde agosto de 2023, todos os salões de beleza foram oficialmente encerrados pelo regime, o que significou o fecho de cerca de 12 mil estabelecimentos e a perda de mais de 50 mil empregos femininos. Apesar da proibição, muitos destes espaços reabriram de forma discreta dentro das comunidades, funcionando como fonte de rendimento para mulheres sem outras alternativas de sobrevivência.
A liderança talibã ordenou agora aos chefes comunitários e aos anciãos locais que identifiquem os salões clandestinos e denunciem as proprietárias à chamada polícia da “promoção da virtude e prevenção do vício”. Este organismo é responsável por vigiar o comportamento social e impor a rígida interpretação religiosa aplicada pelo grupo desde que regressou ao poder, em agosto de 2021.
O encerramento dos salões de beleza representa não apenas uma perda de autonomia para milhares de mulheres, mas também um duro golpe económico para inúmeras famílias que dependiam desses rendimentos. Muitas vezes, estas pequenas empresas eram a única fonte de sustento em lares onde os homens estavam incapacitados ou desempregados.
A decisão de perseguir os salões clandestinos agrava ainda mais uma realidade de pobreza e marginalização que afeta milhões de afegãos. Sem alternativas de trabalho, muitas mulheres encontram-se agora completamente dependentes da caridade familiar ou da ajuda internacional, que continua a enfrentar entraves por parte das autoridades talibãs.
Desde a tomada do poder, os talibãs têm vindo a restringir drasticamente a participação das mulheres na vida pública. Para além da proibição dos salões de beleza, foram encerrados ginásios e outros espaços de convívio. As mulheres estão impedidas de frequentar parques públicos, não podem viajar sem um acompanhante masculino e são obrigadas a cobrir-se totalmente em público. Até mesmo a sua voz em espaços públicos é considerada indesejada.
Paralelamente, o acesso à educação foi drasticamente limitado. As raparigas estão proibidas de frequentar o ensino secundário e a universidade, enquanto as oportunidades de trabalho remunerado praticamente desapareceram. Organizações de direitos humanos descrevem esta situação como um sistema de “apartheid de género”, onde metade da população é deliberadamente excluída de qualquer papel ativo na sociedade.
