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Tal como George Floyd, Javier Ambler também disse “Não consigo respirar”. Programa policial “Live P.D.” chega ao fim após polémica com imagens de 2019

Este artigo tem mais de 5 anos

A estação de televisão A&E anunciou hoje que cancelou o programa policial “Live P.D.”, envolvido em polémica, na sequência dos protestos anti-racistas e contra a brutalidade policial que varreram os Estados Unidos nas últimas semanas.

“Este é um momento crítico na história da nossa nação e tomámos a decisão de acabar com a produção de ‘Live P.D.’ ao vivo”, disse a A&E numa declaração citada pela imprensa norte-americana.

O anúncio segue-se ao fim do programa “Cops”, cancelado na terça-feira após mais de 30 anos no ar desde o seu lançamento, em 1989.

“Live P.D.”, que começou a ser exibido em 2016 e se converteu num fenómeno de audiências, acompanhava em direto agentes policiais nas ruas de vários pontos do país, com a participação de convidados e analistas.

O programa está na origem de uma nova polémica, envolvendo um afro-americano de 40 anos que morreu em Austin (Texas) durante uma intervenção policial violenta, em março de 2019.

As imagens, filmadas pelo “Live P.D.”, só foram divulgadas nesta segunda-feira, mostrando o momento em que agentes da polícia prendem Javier Ambler. “Não consigo respirar”, disse o afro-americano, tal como George Floyd, que está na origem de uma vaga de protestos nos Estados Unidos.

Nas imagens agora divulgadas pela CNN, ouve-se Ambler avisar a Polícia de que sofre de insuficiência cardíaca.

A estação de televisão A&E tinha dito em comunicado anterior que as imagens nunca tinham ido para o ar, por mostrarem uma morte, e que tinha destruído as imagens, quando foi informada de que a investição tinha sido arquivada, afirmando que as filmagens nunca lhes foram pedidas pelos procuradores.

Nos últimos anos, os programas policiais deste género foram várias vezes criticados por glorificarem o trabalho da polícia sem qualquer crítica, contribuindo igualmente para dar uma imagem esteriotipada dos criminosos.

Os protestos anti-racismo que começaram nos Estados Unidos após a morte de George Floyd às mãos da polícia, e se espalharam por todo o mundo, forçaram as empresas de entretenimento a analisar produções atuais e passadas.

Na terça-feira, a norte-americana Paramount cancelou a série de realidade “Cops”, ao fim de 33 temporadas.

A britânica BBC retirou da sua plataforma de streaming episódios da série de humor “Little Britain”, que incluíam um personagem com ‘blackface’ (quando um caucasiano pinta a cara de preto para representar alguém de raça negra).

Na quarta-feira, a WarnerMedia, detida pela AT&T, que opera a HBO Max, anunciou que ia retirar temporariamente daquela plataforma de ‘streaming’ o filme “E tudo o vento levou”, para que seja incluída contextualização histórica à longa-metragem de 1939.

Na terça-feira, o jornal norte-americano Los Angeles times publicou um artigo de opinião do escritor norte-americano John Ridley, no qual este apelava à retirada de “E tudo o vento levou” da HBO Max, alegando que o filme “glorifica” a escravatura durante a Guerra Civil dos Estados Unidos.

Num comunicado, a WarnerMedia classifica “E tudo o vento levou” como “um produto do seu tempo” que retrata preconceitos raciais.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Pelo menos 10 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, e as autoridades impuseram recolher obrigatório em várias cidades.

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