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De gorros e lenços às riscas, sobreviventes de Auschwitz voltam ao campo de concentração e lançam alerta

Este artigo tem mais de 6 anos

Passados 75 anos da libertação de Auschwitz, sobreviventes do Holocausto — hoje menos numerosos — reúnem-se no local, esta segunda-feira, para honrar a memória de mais de 1,1 milhão de vítimas, principalmente judeus, e lançar um alerta ao mundo frente ao ressurgente antissemitismo.

Procedentes do mundo inteiro, são mais de 200 sobreviventes neste antigo campo de concentração nazi de Auschwitz, situado no sul da Polónia. Lá, partilham os seus testemunhos com o intuito de chamar a atenção para a recente onda de ataques antissemitas dos dois lados do Atlântico, alguns letais.

Com gorros e lenços com riscas azuis e brancas, simbolizando os uniformes destes prisioneiros no campo, atravessaram, com tristeza, o célebre portal de ferro com a inscrição “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”, em tradução livre do alemão para o português). Acompanhados do presidente polaco, Andrzej Duda, depositaram coroas de flores perto do “muro da morte”, onde os nazis mataram milhares de pessoas.

“Queremos que a próxima geração saiba o que nós vivemos e que isso não aconteça nunca mais”, declarou com a voz embargada pela emoção o sobrevivente de Auschwitz David Marks, de 93 anos, antes de uma cerimónia no domingo de manhã.

Marks perdeu 35 membros da sua família de judeus romenos em Auschwitz, o maior dos campos da morte instalados pela Alemanha nazi, que se tornou símbolo dos seis milhões de judeus europeus mortos no Holocausto.

A partir de meados de 1942, os nazis deportaram sistematicamente judeus de toda Europa para seis grandes campos de extermínio: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Treblinka.

‘Sem política’

Os organizadores insistem no facto de que a cerimónia comemorativa de hoje deve concentrar-se no que os sobreviventes têm a dizer, e não nas divergências políticas que marcaram os preparativos da data.

“Trata-se dos sobreviventes, não se trata de política”, declarou Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial, neste ex-campo de concentração hoje transformado em memorial e museu, administrados pela Polónia.

“Observamos o impulso do antissemitismo, e não queremos que o seu passado (o dos sobreviventes) seja o futuro dos seus filhos, ou o futuro dos seus netos”, completou.

Chefes de Estado e de governo de quase 60 países assistirão à cerimónia de hoje, que contará com a ausência dos líderes das grandes potências mundiais. Estes últimos participaram, na última quinta-feira, numa cerimónia semelhante em Jerusalém.

O presidente polaco, Andrzej Duda, recusou-se a ir a Jerusalém, depois de saber que não poderia fazer um pronunciamento com as demais autoridades. Já o presidente russo, Vladimir Putin, teve um papel de protagonismo.

Em dezembro, Putin causou indignação na Polónia e no Ocidente após afirmar que este país foi conivente com o ditador nazi Adolf Hitler e contribuiu para a deflagração da Segunda Guerra Mundial.

Duda deve discursar esta segunda-feira.

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