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Será a atualidade política mais instável que a Primeira República?

Este artigo tem mais de 1 ano

O país vai às urnas pela quarta vez no espaço de cinco anos e meio. A crise política que se instalou no país remete os tempos atuais à Primeira República, onde muitas vezes, os Governos não duravam um ano. Ainda assim, nem na Primeira República de Portugal convocou este número de eleições num tão curto…

344 dias depois do Governo ter tomado posse, o país assistiu ontem à sua queda.

Depois de duas moções de censura rejeitadas, foi a moção de confiança apresentada ontem que derrubou o governo da Aliança Democrática, com votos contra de todos os partidos da oposição, à exceção da Iniciativa Liberal. 

Com uma nova crise política em cima da mesa, os portugueses vão agora às urnas, mais uma vez em eleições antecipadas, é a terceira vez em três anos e três meses.

São também as quartas eleições legislativas no espaço de cinco anos e meio, algo que nunca aconteceu durante a democracia,  nem mesmo, na Primeira República. 

A instável Primeira República

A Primeira República foi implementada a 5 de outubro de 1910 e acabou a 28 de maio de 1926, tendo marcado o fim da monarquia em Portugal. Em quase 16 anos houve 45 Governos e duas Juntas. 

Os mandatos únicos da Assembleia Constituinte duraram um ano, mas ainda assim foram extremamente relevantes para a criação de medidas inovadoras. Só ao primeiro Governo se devem medidas como a separação da Igreja do Estado, a introdução do divórcio e o direito à greve.

A Primeira República contou com uma Junta Constitucional em 1915, um órgão provisório, criado depois do golpe militar desse mesmo ano que destituiu o anterior governo. A Junta supervisionou todos os departamentos governamentais até à tomada de posse dos ministros do X Governo, ainda no mesmo ano.

Em 1917, a Junta Revolucionária foi criada no decorrer de um golpe de estado liderado por Sidónio Pais, que viria a ser Presidente do Ministério (equivalente ao cargo do atual Primeiro-Ministro) e mais tarde, Presidente da República.

Numa altura em que se acabou de assistir à queda de um Governo que durou apenas 11 meses, é impossível não traçar paralelismos entre a inevitável instabilidade de há quase 100 anos e a situação política em que o país se encontra. Afinal, mesmo nessa altura, só uma vez é que existiram quatro eleições no espaço de cinco anos (entre 1975 e 1980) – sendo que importa reforçar que os mandatos únicos tinham a duração de um ano – e na história atual do país os três sufrágios foram feitos no período recorde de três anos, em mandatos que deveriam ser quatro anos.  

A instável atualidade

Desde 2019 que nenhuma legislatura chegou ao fim. 

Depois do primeiro Governo de António Costa, que ficou conhecido como a Geringonça, o PS voltou a formar um Governo minoritário em 2019 que durou apenas 2 anos e 5 meses, graças ao chumbo do Orçamento do Estado para 2022.  Foi então que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, marcou eleições e dissolveu a Assembleia da República.

Em 2022, elegeu-se um Governo, desta vez maioritário, do PS que parecia ser para durar. No entanto, esteve apenas em plenas funções até dezembro de 2023, quando o Primeiro-Ministro, António Costa, apresentou a demissão, na sequência da abertura de uma investigação judicial contra o próprio, no âmbito da Operação Influencer.

Em 2024, Luís Montenegro subiu ao poder através de eleições antecipadas. Depois de 11 meses de Governo, a turbulência chegou  com o caso Spinumviva, que envolveu o Primeiro-Ministro e levou à apresentação de duas moções de censura.

Embarcou-se agora numa nova contagem decrescente até às próximas eleições que irão ditar o futuro do país. E é impossível não questionar quanto tempo durará o próximo Governo?

*Edição por Ana Maria Pimentel

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