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À chegada à antiga faculdade, António José Seguro foi recebido com entusiasmo por dezenas de estudantes e funcionários que se juntaram depois das aulas para o cumprimentar. Entre aplausos e cânticos dirigidos ao antigo professor, o Presidente cumprimentou vários jovens antes de seguir para uma sala reservada para uma conversa com participantes convidados.
Entre eles estava Marta Amaral, uma das 52 jovens presentes na sessão, que vê na iniciativa um sinal relevante. “É importante sabermos que a Presidência está a olhar para os jovens, para a nova geração. Isso é um símbolo de que está a olhar para o futuro”, afirmou ao 24notícias.
O encontro reuniu participantes entre os 18 e os 34 anos e decorreu sobretudo em formato de escuta. “Não tivemos muitas respostas. O Presidente esteve mais a ouvir do que propriamente a falar, mas esteve sempre a tirar notas”, contou Marta Amaral.
Durante cerca de uma hora, os jovens levantaram temas variados, desde o futuro das novas gerações num contexto internacional mais instável ao acesso à habitação, passando pelo Serviço Nacional de Saúde, a educação, a inovação ou o impacto das novas tecnologias.
Segundo Marta Amaral, também se discutiram desafios como a fuga de cérebros e o regresso de jovens que estiveram emigrados, bem como questões demográficas, como a natalidade e o envelhecimento da população. Houve ainda sugestões concretas, como a nomeação de um membro do Conselho de Estado com menos de 35 anos e a necessidade de descentralizar oportunidades para além de Lisboa e do Porto.
Apesar do número elevado de participantes, nem todos conseguiram intervir. “Éramos 52 e falaram poucas pessoas para a quantidade de pessoas que estavam na sala”, explicou Marta.
No final da sessão, o Presidente interveio durante poucos minutos para reforçar que pretende continuar a ouvir os mais novos. Disse querer construir uma “coligação” com os jovens portugueses e prometeu criar, através da Casa Civil, mecanismos para recolher contributos e ideias, incluindo de quem não esteve presente.
“Eu quero ouvir-vos sobre os vossos problemas”, afirmou António José Seguro, acrescentando que, ao contrário da sua geração, que via o futuro como “uma avenida enorme”, os jovens de hoje enfrentam “uma rua muito estreita”.
Para vários dos desafios apontados, como a habitação ou a competitividade da economia, Seguro considerou que as soluções já são conhecidas, faltando sobretudo “coragem e vontade política” para as concretizar. Entre os temas que exigem reflexão, destacou também o impacto da inteligência artificial, que disse estar a transformar as relações económicas, sociais e políticas.
Antes de sair do ISCSP, o Presidente convidou os participantes a continuarem o diálogo e pediu que lhe enviassem por escrito as suas propostas. Pouco depois, deixou a faculdade rumo ao Palácio da Ajuda, onde tinha agendada a condecoração do antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Para Marta Amaral, o desafio agora é garantir que este diálogo se mantém. “A minha geração precisa de mais para continuar a acreditar em Portugal. Se nos ouvirem, já é uma esperança”, concluiu.
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