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Rússia contra o mundo. Há um novo guerreiro na luta contra as fake news

Este artigo tem mais de 9 anos

Nos últimos meses, o mundo ficou a conhecer o conceito de “factos alternativos”, explicado pela assessora de Donald Trump, Kellyanne Conway. Depois, de várias partes surgiram férreos combatentes numa batalha contra as notícias falsas, do Facebook ao jornal francês Le Monde. Agora, surge um novo “guerreiro” nesta luta: o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

No portal deste ministério foi adicionada uma página na secção para a assessoria de imprensa onde são expostos exemplos de notícias que o Kremlin considera como sendo falsas. Na página, por agora, constam manchetes de publicações prestigiadas como o jornal britânico The Telegraph ou os sites americanos Bloomberg e NBC News.

O que todas têm em comum, além de um carimbo vermelho gigante, é o facto de que todas as peças afetam negativamente a imagem da Rússia, com títulos como “Líder da corrida presidencial francesa diz que está a ser alvo de ataque hacker da Rússia” ou “Vitaly Churkin é a 5ª morte suspeita entre os diplomatas russos nos últimos 3 meses”.

Ao jornal The New York Times, a porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros, Maria Zakharova, diz que “o objetivo [da página] é expor as principais notícias falsas em várias publicações e fazer de tudo para impedir a sua disseminação”. Como a definição varia consoante o “combatente”, para Zakharova, que fala em nome do Ministério, notícias falsas podem ser aquelas que não contenham a perspetiva russa, ou as que citem fontes anónimas.

A questão é que a página recém-criada surge num contexto em que a Rússia é acusada por várias frentes de criar notícias falsas e com ela influenciar o rumo de vários países. Destaca-se a polémica relacionada com a eventual forte influência na campanha presidencial norte-americana, onde acusam o país de, com a fabricação de notícias falsas ou de artigos que confundam os leitores, ter ajudado a eleger Donald Trump como 45.º presidente dos Estados Unidos.

A mesma publicação dá um exemplo no artigo em que aborda a novidade na página do ministério russo: em 2014, quando caiu o voo MH17, da Malasya Airlines, a Rússia divulgou factos alternativos sobre o incidente, responsabilizando a Ucrânia pela morte dos 298 civis que iam a bordo. Outra versão de origem russa, era a de que o objetivo real da Ucrânia era atingir o avião do Presidente Vladimir Putin, que voava no mesmo momento que a aeronave da companhia malaia.

Às acusações, Maria Zakharova responde: “Como podem acusar-nos de divulgar informações falsas através das agências do governo e dos media quando vocês também fazem o mesmo? (…) Enquanto publicam esse tipo de notícias sobre a Rússia, os media internacionais estão a fazer a mesma coisa – nunca citam factos concretos – e é um paradoxo triste”, acrescenta ao jornal The New York Times.

Depois de mais este “capítulo”, parece que a luta contra as notícias falsas veio para ficar. As acusações surgem de todo o lado e para todo o lado. De Donald Trump, que critica os media norte-americanos de propagarem fake news, passando pelos órgãos de comunicação social e, claro, pelos próprios leitores. É uma batalha que está ainda longe de estar terminada.

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