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Reitor da Universidade do Porto diz ter sido pressionado para admitir alunos em Medicina. Ministro da Educação acusa-o de mentir

Depois de António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto, ter dito que recebeu pressões de várias pessoas influentes para deixar entrar na Faculdade de Medicina 30 candidatos que não tinham obtido a classificação mínima exigida, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, vem dizer que tal é mentira.

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O reitor da Universidade do Porto (UP), António Sousa Pereira, denunciou ao Expresso ter sido alvo de pressões de várias pessoas “influentes e com acesso ao poder” para permitir a entrada de 30 candidatos na Faculdade de Medicina, apesar de estes não terem alcançado a classificação mínima exigida no concurso especial de acesso.

O caso envolve a própria tutela, uma vez que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu ao semanário ter sugerido a abertura de vagas extraordinárias para resolver a situação.

Em causa está o concurso especial de acesso à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) para o ano letivo de 2025/26. O regulamento publicado em Diário da República estipula que apenas candidatos com 14 valores ou mais na prova de conhecimentos podem ser admitidos. Entre cerca de 50 candidatos, apenas sete obtiveram a nota necessária. Ainda assim, a comissão de seleção da faculdade, composta por seis docentes, deliberou aplicar de forma excecional uma nota mínima de 10 valores, comunicando a 30 estudantes que tinham sido aceites. Esta decisão foi tomada sem informar o reitor, cuja competência exclusiva é homologar os resultados finais.

Quando tomou conhecimento, já a 7 de julho, António Sousa Pereira recusou validar a lista por considerar que violava o regulamento. Com essa decisão, apenas os sete candidatos aprovados com mais de 14 valores entraram no curso, sendo as restantes 30 vagas revertidas para o concurso nacional de acesso, como determina a lei.

A situação gerou contestação imediata. Os candidatos notificados como admitidos reclamaram, dirigiram-se ao Parlamento e, segundo o reitor, fizeram uso de contactos junto de pessoas com peso político.

Por sua vez, o diretor da Faculdade de Medicina, Altamiro da Costa Pereira, defendeu que poderiam ser abertas 30 vagas extraordinárias, posição com a qual o reitor discordou, assim como o diretor-geral do Ensino Superior.

Ainda assim, o caso chegou ao ministro da Educação. Fernando Alexandre reconheceu ao Expresso que, já em agosto, falou com o reitor sobre a hipótese de abrir vagas supranumerárias, desde que existisse base legal.

“O ministro falou comigo porque estava muito incomodado com a situação. Eu disse-lhe que preferia ser obrigado pelo tribunal a abrir as vagas, se este entender que os candidatos têm realmente direito adquirido, a ir eu sentar-me no banco dos réus porque não cumpri a lei e admiti alunos em situação irregular”, disse o reitor ao Expresso.

Já Fernando Alexandre solicitou um parecer à IGEC — Inspeção-Geral da Educação e Ciência, que concluiu pela “inadmissibilidade jurídica” da medida, alertando para o risco de “violação dos princípios da legalidade, da igualdade e da segurança jurídica”.

Ministro diz que o reitor mentiu

Esta tarde, o ministro da Educação manifestou-se sobre o caso e acusa o reitor da Universidade do Porto de mentir “sem qualquer pudor” sobre as alegadas pressões para a entrada dos alunos.

Assim, defende que António Sousa Pereira “mentiu publicamente sobre uma conversa telefónica”, ao dizer que Fernando Alexandre o pressionou a “cometer uma ilegalidade”.

“Esta mentira é altamente ofensiva para a minha pessoa e não é própria de quem dirige uma instituição na área da educação”, nota.

Segundo o ministro, a Universidade do Porto comunicou “de forma errada” a 30 candidatos a sua colocação no mestrado integrado de Medicina e, “ao comunicá-lo, criou a expectativa de poderem vir a frequentar o curso”. Por isso, ao voltar atrás com essa decisão, chegaram “queixas” dos candidatos ao ministério via e-mail.

Sobre a chamada, Fernando Alexandre afirma que manifestou “preocupação pelo arrastar de uma situação criada pela própria universidade, dado que foi a Universidade do Porto que informou os candidatos da sua colocação no curso de Medicina”.

O ministro diz ainda que, depois do parecer pedido à IGEC e da resposta recebida, “fica claro que qualquer sugestão” de ter pressionado o reitor “para cometer uma ilegalidade não tem fundamento” — e diz que aceitaria a demissão de António Sousa Pereira.

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