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Quem foi “El Mencho”, o chefe do cartel que dominou o crime organizado no México

Nemesio Oseguera Cervantes, mais conhecido pelo seu pseudónimo criminal “El Mencho”, foi uma das figuras mais influentes e temidas do crime organizado no México nas últimas duas décadas. Nascido em 1965 em Apatzingán, no estado de Michoacán, El Mencho começou a sua ligação ao narcotráfico ainda jovem, numa região marcada pela presença de grupos criminosos…

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“Com uma combinação de astúcia estratégica e violência extrema”, dizem no México, El Mencho ascendeu, na década de 80, a líder supremo do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma organização que se consolidou como uma das mais poderosas e violentas do país. Sob o seu comando, o CJNG estendeu as suas operações a vários estados mexicanos, incluindo Jalisco, Michoacán, Guanajuato e Tamaulipas, e também para mercados internacionais como os Estados Unidos, Europa e América do Sul.

De acordo com analistas de segurança, El Mencho foi um estratega que soube aproveitar a fragmentação de cartéis rivais para expandir o seu território. “Ele não era apenas violento, era calculista”, afirmou Luis Rodríguez, especialista em organização criminal, numa entrevista ao The Guardian. “O CJNG tornou‑se poderoso porque El Mencho compreendeu que podia aliar o uso de força brutal à manutenção de rotas de tráfico estáveis”, revela.

A organização controlava fluxos de fentanil, metanfetaminas, heroína e cocaína, tornando‑se um dos principais exportadores destas substâncias para os mercados norte‑americanos e europeus. Esse domínio rendeu‑lhe uma recompensa de até 15 milhões de dólares pelos Estados Unidos, que o classificaram como um dos criminosos mais procurados do mundo.

O CJNG, sob a sua liderança, ganhou notoriedade pela sua violência extrema, incluindo atentados, execuções públicas e até o uso de drones armados contra forças de segurança. “Eles instilavam medo. Não só nas comunidades, mas também no Estado”, disse María López, professora de ciência política na Universidade Autónoma de Guadalajara.

Essa violência tornou‑se um elemento definidor da carreira de El Mencho. “A maioria dos líderes de cartéis tenta manter um equilíbrio, El Mencho não. Ele parecia disposto a tudo para manter o controlo”, acrescentou a professora.

Para muitos civis que viveram sob a sombra do cartel, a sua morte é recebida com sentimentos ambíguos. “Ele era um monstro, mas também protegia algumas comunidades onde o Estado nunca apareceu. Agora estamos todos preocupados com o que vem a seguir”, disse um residente de Guadalajara, à imprensa local.

Apesar da eliminação de El Mencho, especialistas acreditam que o Cartel Jalisco Nueva Generación continua operacional, embora possa enfrentar desafios de liderança e potenciais disputas internas. “A estrutura do cartel é suficientemente grande e descentralizada para sobreviver à perda de um líder, mas isso também pode significar fragmentação e ainda mais violência”, salientou Luis Rodríguez.

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