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As autoridades argentinas confirmaram a recuperação do “Retrato de uma Senhora (Contessa Colleoni)”, do pintor italiano Giuseppe Ghislandi, desaparecido desde 1946, diz o The Guardian.
A obra foi entregue na quarta-feira ao poder judicial argentino por Patricia Kadgien, filha do falecido banqueiro nazi Friedrich Kadgien. A mulher encontrava-se em prisão domiciliária, juntamente com o marido, desde terça-feira.
Segundo a investigação, o casal tentou ocultar a proveniência ilícita da pintura, razão pela qual enfrenta acusações de ocultação e obstrução à justiça. A audiência judicial está marcada para esta quinta-feira.
A descoberta só foi possível graças a uma investigação do jornal holandês AD, que durante anos acompanhou o percurso da obra desaparecida. O avanço decisivo ocorreu na semana passada, quando um repórter encontrou numa plataforma online de imóveis a casa de Kadgien em Mar del Plata. Numa das fotografias, o quadro aparecia pendurado acima de um sofá na sala de estar.
No dia seguinte, o procurador federal Carlos Martínez ordenou uma busca à propriedade. Quando a polícia chegou, o retrato já não se encontrava na residência. Contudo, as autoridades apreenderam duas armas sem licença e dois telemóveis.
As investigações prosseguiram com mais quatro buscas na segunda-feira. Nessas diligências foram encontrados outros dois quadros, possivelmente do século XIX, além de vários desenhos e gravuras. Especialistas do poder judicial argentino analisam agora as peças para determinar se também foram saqueadas pelos nazis.
A história de Friedrich Kadgien ajuda a explicar como a pintura chegou à Argentina. Após a derrota da Alemanha nazi, em 1945, vários altos responsáveis do regime fugiram para a América do Sul. Kadgien, que ocupava cargos de relevo no aparelho financeiro nazi, escapou dos Países Baixos em 1946, passando pela Suíça e pelo Brasil antes de se fixar definitivamente na Argentina. A obra terá viajado com ele e permanecido na posse da família mesmo após a sua morte em Buenos Aires, em 1978.
