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Porque não conseguem os portugueses pagar a renda?

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A DECO revelou hoje que o número de pedidos de ajuda por dificuldade em pagar a renda aumentou 67% no primeiro trimestre do ano, face ao mesmo período de 2024. Falando de números, a associação recebeu mais de 300 solicitações até ao final de março. Os motivos apontados pela DECO para este aumento foram o…

A DECO revelou hoje que o número de pedidos de ajuda por dificuldade em pagar a renda aumentou 67% no primeiro trimestre do ano, face ao mesmo período de 2024. Falando de números, a associação recebeu mais de 300 solicitações até ao final de março.

Os motivos apontados pela DECO para este aumento foram o fim ou a redução do apoio extraordinário à renda e os atrasos registados na atribuição do programa Porta 65. Mas o que quer isto dizer, e que outros motivos podem ter colaborado para esta subida nos pedidos de ajuda?

Cortes no apoio extraordinário à renda

Segundo o Diário de Notícias, 87 mil contribuintes perderam o apoio à renda desde 2023, e só no início de fevereiro 46 mil pessoas deixaram de receber este subsídio sem qualquer aviso prévio.

O apoio extraordinário à renda é atribuído automaticamente, ou seja, não é necessário fazer um pedido – quem tiver uma taxa de esforço igual ou superior a 35% recebia este apoio, que pode chegar até aos 200 euros.

Uma vez que as pensões e alguns salários subiram este ano, a juntar às alterações nas tabelas de retenção do IRS, a condição de rendimento de muitos beneficiários foi alterada. Para piorar a situação, têm sido registados problemas na comunicação de alguns dados à Autoridade Tributária desde fevereiro.

Atrasos no Porta 65

O Porta 65 é um programa de incentivo ao arrendamento para jovens, que consiste no pagamento de uma parte da renda da casa. Pode ser atribuído a casais, jovens que vivam sozinhos ou que partilhem casa.

No entanto, o programa tem tido atrasos significativos, que deixam os beneficiário à espera entre 5 meses a 2 anos. O executivo tem vindo a prometer resolver o problema o mais rapidamente possível, mas este não deixa de ser um fator que tem contribuído, em grande medida, para o aumento dos pedidos de ajuda.

Subida dos preços das rendas

É inevitável não associar o crescimento dos pedidos de ajuda com a subida dos preços das rendas, que têm vindo a disparar ultimamente, atingindo máximos históricos.

No último trimestre de 2024, as rendas aumentaram 9,3% com a renda mediana em Portugal a atingir os 8,43 euros por metro quadrado.

Portugal teve ainda o maior aumento nos preços das casas na zona euro, no terceiro trimestre de 2024. Uma vez que os preços das casas caminham de mãos dadas com os preços das rendas, é outro fator que pode ser associado à subida em questão.

Oferta limitada

Apesar das taxas de juro dos empréstimos para a compra de casa estarem no valor mais baixo dos últimos dois anos e meio, a procura não para de aumentar. Consequentemente, os preços das casas subiram ainda mais.

A taxa média das novas operações de crédito habitação foi de 3,17%, o valor mais baixo desde dezembro de 2022. No entanto, a falta de casas no mercado continua a contribuir para o aumento dos valores.

Falta não só oferta, mas também oferta a preços acessíveis. Especialmente nas grandes cidades, como Lisboa e Porto, parece cada vez mais distante e longínqua a ideia de conseguir uma casa por um preço que não seja considerado absurdo para quem recebe um salário mínimo em Portugal.

O aumento dos pedidos de ajuda por dificuldade em pagar a renda mostra que cada vez mais está presente a realidade de um grande número de pessoas não conseguir fazer face às despesas. Isto resulta não só no corte na alimentação, mas também no endividamento dos portugueses.

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