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Paulo Sande: “Há aqui um círculo vicioso: nós contentamo-nos com a mediocridade”

Este artigo tem mais de 4 anos

“Se continuarmos a usar as mesmas receitas, vamos continuar a comer os mesmos maus pratos”. É assim que Paulo Sande, ex-candidato ao Parlamento Europeu, resume a situação em que Portugal se encontra. E estranha que a Europa esteja ausente do debate político.

Como é possível discutir Portugal e o futuro sem enquadrar o país, as políticas e os desafios na realidade europeia, que é cada vez mais a nossa?

Paulo Sande acredita que o pecado original da integração europeia é Portugal ter apenas no seu horizonte o dinheiro que vem de Bruxelas; inicialmente os fundos estruturais, passados quase quarenta anos o “fenómeno” PRR – Plano de Recuperação e Resiliência.

Portugal devia estar a discutir até que ponto a Europa deve apostar na soberania europeia, assumir perante o resto do mundo uma posição própria e autónoma. Ou que grupos europeus relevantes podem ser competitivos a nível global ou a migração e os refugiados ou a política de defesa. Entre outros temas.

A Europa estagnou nos últimos 20 anos e Portugal tem uma quota-parte de responsabilidade, na medida em que alinhou no discurso que conduziu a isso. Hoje a escolha não é apenas entre o nacionalismo ou seguir em frente de olhos tapados, há a hipótese de experimentar caminhos e voltar para trás. Mas a solidariedade será sempre o “cimento” das nações.

Paulo Sande é um profundo conhecedor das instituições europeias. Autor e co-autor de várias publicações, é professor da cadeira de Construção Europeia do Curso de Ciência Política da Universidade Católica e foi responsável pelo setor português de informação no Parlamento Europeu, no Luxemburgo, e, no total, esteve 20 anos à frente do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal.

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