O que está em causa em termos políticos nesta campanha descrita como histórica?
Economia
Após três anos de inflação elevada, o poder de compra é um tema de grande preocupação para muitos cidadãos americanos.
Donald Trump, que na sua gestão reduziu os impostos para os mais ricos e as empresas, prometeu aumentar as taxas sobre todas as importações em mais de 10%, o que, segundo ele, permitirá financiar uma ampla redução de impostos.
O candidato republicano também se comprometeu a tornar os Estados Unidos “a capital mundial do bitcoin e das criptomoedas”.
A democrata Kamala Harris, por sua vez, apresentou-se como a candidata da classe média e quer criar uma “economia de possibilidades”. Embora tenha assumido alguns dos compromissos de Joe Biden sobre a taxação das grandes fortunas, também os moderou.
A vice-presidente promete uma dedução fiscal para a natalidade, ajuda para dar acesso à habitação e incentivos à criação de empresas.
Imigração
Para Trump, a situação na fronteira com o México é uma prioridade. É também um tema sensível da campanha, no momento em que foi registado um pico de entradas ilegais durante a gestão Biden.
O republicano, que na campanha de 2016 prometeu construir um muro ao longo da fronteira, foi ainda mais longe desta vez, planeando a maior operação de expulsão de migrantes ilegais da história americana.
A retórica xenófoba e desumanizante sobre os migrantes repete-se nos discursos, onde descreve a chegada de imigrantes ilegais como “uma invasão” e “o envenenamento do sangue americano”.
Sobre a questão, Kamala propõe-se a seguir uma política dura, afirmando que faz falta que as pessoas que entram ilegalmente no país enfrentem “consequências”, e apoiou um projeto de lei de Biden para endurecer a política migratória, principalmente através do investimento em barreiras físicas.
Aborto
O direito ao aborto poderia motivar mais cidadãos americanos tradicionalmente menos politizados a comparecer às urnas, sobretudo as mulheres, o que pode favorecer os democratas, visto que referendos sobre a questão serão realizados em 10 estados paralelamente às presidenciais.
Esta é a primeira eleição presidencial desde que o Supremo Tribunal, para o qual Trump nomeou novos juízes, reverteu a proteção federal do aborto em junho de 2022, anulando a decisão judicial “Roe vs. Wade” que garantia o direito ao aborto às americanas desde 1973.
Kamala fez deste assunto uma questão fundamental na sua campanha e culpa o adversário pela situação atual, que descreve como “horrível e de partir o coração”.
A democrata quer uma lei federal que restabeleça as disposições da decisão judicial de 1973.
Trump hesita sobre o assunto. O ex-presidente defende ter deixado o tema nas mãos dos estados após a decisão Supremo Tribunal, mas considera que alguns “foram longe demais”.
Segundo o candidato, a sua administração será “ótima para as mulheres”, mas deu a entender que poderá usar o seu poder como presidente para limitar o acesso aos medicamentos abortivos.
Relações internacionais
Com uma campanha desenvolvida num contexto de guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, a postura de ambos os candidatos está a ser observada por determinados grupos de eleitores.
O republicano, que considera que os EUA nunca foram tão pouco respeitados no mundo, garante que resolverá estes conflitos rapidamente, mas não explica como. Também criticou o amplo financiamento de Washington a Kiev desde 2022.
Ao contrário, Kamala Harris prometeu que continuará “firmemente do lado da Ucrânia” e não será “amiga de ditadores”, ao contrário do seu adversário.
Embora ambos tenham manifestado apoio ao “direito de defesa” de Israel, a vice-presidente tentou equilibrar o discurso ao abordar o sofrimento dos palestinianos.
Alterações climáticas
Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases com efeito estufa no mundo depois da China, mas a questão quase não foi abordada pelos candidatos, que têm visões completamente opostas sobre o tema.
Donald Trump é cético em relação às mudanças climáticas e quer eliminar os subsídios às energias renováveis e aos carros elétricos que, na sua opinião, prejudicam as empresas.
Planeia sair novamente do Acordo de Paris.
Kamala Harris, por outro lado, está empenhada em “continuar e desenvolver a liderança internacional dos Estados Unidos na questão do clima” e apoiou grande parte do plano de transição energética de Biden.
Enquanto senadora pelo estado da Califórnia, apoiou o “Green New Deal”, uma resolução que visa reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito de estufa.
*Por Marion THIBAUT, da AFP.
