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O primeiro Congresso do resto da vida do PCP

Este artigo tem mais de 9 anos

Pela primeira vez na história, o Partido Comunista Português chega a um Congresso nacional no arco da governação. São águas nunca antes navegadas, mas Jerónimo de Sousa parece saber para onde vai. Vindo do Parlamento, ainda no rescaldo da discussão do Orçamento de Estado para 2017, o PCP atravessa o rio Tejo até Almada para…

Dois grandes desafios apresentam-se ao líder incontestado dos comunistas. Primeiro, convencer os mais céticos de que a posição conjunta que dá apoio ao Governo do Partido Socialista foi a melhor opção. Segundo, bater pé ao executivo de António Costa. Contraditório?

A convergência de esquerdas permitiu pôr fim a quatro anos de governação de direita, a coligação PSD/CDS caiu. O apoio do PCP ao Governo do Partido Socialista deu à bancada dos comunistas a possibilidade de ser ouvida de forma construtiva nos dois Orçamentos de Estado do executivo de António Costa, mas não tanto quanto era esperado.

Por isso, Jerónimo de Sousa tem vincado: “Esta não é o nosso Orçamento”. E de facto não é. Os comunistas conseguiram melhorias nas atualizações das pensões e das reformas – e fizeram questão de vincar esse seu contributo -, no sector público, em áreas como o aumento do subsídio de alimentação, na educação, com 370 mil crianças do 1º ciclo a terem acesso a manuais escolares gratuitos e em políticas familiares com um alargamento do abono de família para todos.

Estas foram algumas das principais medidas em que o PCP teve intervenção direta. Mas para Jerónimo soube a pouco. A política europeia, a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e a legalização das plataformas Uber e Cabify que concorrem com o setor os táxis ficaram ‘entalados’. Em entrevista ao Expresso, o secretário-geral comunista diz que não “engole sapos” e bate pé. Quer que medidas mais próximas da “política patriótica de esquerda” que o seu partido defende nas suas teses. Ao PÚBLICO mostrou-se mais desacreditado em relação ao atual Governo, afirmando que essa tão desejada política que devolverá rendimentos e direitos à classe trabalhadora só será possível pelo PCP, e pelo PCP só.

O Orçamento de Estado para o próximo ano aumentou a clivagem entre os socialistas e os comunistas. Daí que Jerónimo de Sousa tenha dito que o “caminho está cada vez mais estreito”. Inclusive afirma o secretário-geral que a posição conjunta foi “beliscada”. No final, este não é um orçamento do PCP, reitera. Mas tem as suas marcas. E são estas pequenas conquistas que têm marcado este primeiro ano de convergência de esquerdas. Agora chega a hora do debate: em 2019 manter-se-á o acordo? Há a possibilidade de o PCP integrar o Governo?

Depois chega a altura de ponderar: estaremos nós, Partido Comunista, a sair beneficiados ou prejudicados deste pacto?

As últimas sondagens, reveladas, mostram um crescimento de intenção de voto no Partido Socialista que o aproxima da maioria absoluta. Já os comunistas caem, 1%. Jerónimo desvaloriza e pede que os socialistas não se deixem embriagar com “sondagens de circunstância”.

Era para ser o Congresso da sucessão

Em 2012 pediram-lhe que ficasse mais um mandato. Agora, em 2016, como um dos rostos fortes da chamada ‘Geringonça’,  a saída de Jerónimo de Sousa deixou de ser uma opção. A sucessão fica adiada, quem sabe, para 2020.

Com a certeza praticamente garantida da sua reeleição, o atual secretário-geral vai-se tornar no segundo líder mais duradouro de sempre do PCP, atrás do histórico Álvaro Cunhal.

A sucessão há muito que deixou de ser um monstro. Há uma nova geração pronta para segurar o barco.

A pouca ou nenhuma contestação dentro do partido ao atual líder, fazem adivinhar que quem segurar o leme do barco manterá o rumo. As soluções são muitas. O PCP apesar de ser o mais antigo partido português tem-se conseguido renovar, e hoje são vários os rostos da juventude. Miguel Tiago, Rita Rato, João Oliveira e João Ferreira são nomes fortes que têm conquistado terreno, dentro e fora do partido.

Hoje, em Almada a história deste Congresso começará a ser escrita, e quem sabe, também a da sucessão. Que PCP sairá do outro lado do rio? Um partido firme e com vontade de continuar a caminhar perto do PS, ou um PCP que vai bater o pé, um PCP que vai exigir ser mais ouvido?

Acompanhe tudo no SAPO24 ao longo destes três dias.

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