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O mundo é “só” uma Bilbau maior. Mais de 70 razões para visitar a cidade que a arte reinventou

O Museu Guggenheim Bilbao, obra de Frank Gehry, transfigurou a cinzenta urbe industrial. Até fevereiro, há motivos redobrados de visita com a exposição de 70 obras de Vieira da Silva. Mas, há mais para ver em Bilbau, além do museu-peça-de-arte. E, acima de tudo, é obrigatório provar os pintxos, as afamadas pequenas porções de ingredientes…

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Em Bilbau, o centro de uma mesa foi o epicentro da transformação e regeneração urbanística, social e cultural da cidade.  Entre pintxos e restante gastronomia basca, Frank Gehry (1929-2025) foi persuadido a “meter a mão” e esboçar os primeiros esquissos do Museu Guggenheim Bilbao a edificar numa localidade encurralada entre montanhas e rasgada por um rio, o Nervión.

Thomas Krens, então diretor da Fundação Guggenheim, e Juan Ignacio Vidarte, então, responsável fiscal e financeiro do governo da Biscaia, e posteriormente diretor-geral do Guggenheim Bilbao até ao início de 2025, perfizeram o grupo de comensais responsáveis pela mudança pelo e acordo com o arquiteto naturalizado norte-americano. Tudo aconteceu a 3 de outubro de 1991, no Restaurante Victor Montes, na Plaza Nueva, no Casco Viejo. O menu mantém-se desconhecido, mas é fácil antecipar que a gastronomia influiu na persuasão, ajudou na construção (1993) e conclusão (1997) do edifício metálico e ondulante que reflete luzes distintas conforme o desenrolar do dia.

Uma década antes, as drásticas cheias que assolaram Bilbau, em 1983, durante a festa anual de agosto, a Grande Semana (Aste Nagusia), foram o detonador da modificação estrutural da face da cidade cosmopolita e vanguardista que conhecemos hoje.  A velha e pesada urbe industrial, assente na riqueza construída à boleia da indústria naval, mineira e da siderurgia, enfrentava, na década de 80 do século XX, um ciclo de decadência social e económica por força da mudança do paradigma económico.

E, é neste contexto de renovação, que Frank O. Gehry imaginou um edifício com 33 mil folhas de titânio, o hoje mundialmente reconhecido Museu Guggenheim , a que foram adicionados espaços na cidade imaginados por outros premiados arquitetos, conferindo nova vida ao berço dos pintxos. Rafael Moneo (Biblioteca Deusto), Álvaro Siza Vieira (Salão Nobre da Universidade) e Norman Foster (Fosteritos, entradas das estações da rede metro) são também artífices da nova Bilbau.

O menu é enriquecido pelo autor da Gare Oriente, em Lisboa, Santiago Calatrava (que desenhou a ponte Zubizuri), arquiteto espanhol também responsável pelo novo aeroporto, César Pelli (Torre Iberdrola, um espelho de 165 metros de altura, símbolo da modernização da cidade), Ricardo Legorreta (Hotel Meliá Bilbao) e Arata Isozaki (complexo residencial Isozaki Atea).

Há pintxos com toque gourmet e os simples. E a simplicidade pode ser tudo.

Se a arquitetura, muito alimentada pelo Guggenheim, serviu de lume à mutação da cinzenta e poluída Bilbau, a gastronomia aprimorou essa metamorfose.

Já falaremos do museu que acolhe a exposição “Anatomy of Space”, da portuguesa Maria Helena Vieira da Silva. Por ora, peguemos nos pintxos, cartão-de-visita do povo basco e cuja origem é atribuída ao Espiga Bar, em San Sebastian, nos anos 30.

Reflexo de uma cultura que junta qualidade gastronómica e socialização à mesa, presas por um palito, as singulares pequenas porções sobrepostas e equilibradas num pedaço de pão, evoluiram, com o tempo, da simples dentada em ingredientes descomplicados, para a recriação de peças de arte culinária em tamanho miniatura.

Os “novos” chefs criam, não apenas algo para comer antes ou entre refeições, mas, tal como escultores e artífices, ultrapassam as fronteiras da côdea e elevam estas peças de lego de produtos locais à representação máxima da sua criatividade artística.

pintxo assemelha-se às tapas, mas não devem ser confundidas com essas pequenas frações alimentícias. Servidos separadamente, exigem mais preparo e combinam mais matérias-primas devidamente encaixotadas no mesmo pedaço de pão.

Há pintxos elaborados com recurso a toque gourmet de trufas ou salmão. E os simples.

A simplicidade, dizem, pode ser tudo. O Bilbainito e o Grillo são muito populares em Bilbao. A Gilga, nasce a partir de três ingredientes: anchova, azeitona e pimenta piparra. Surgido no bar Casa Valles, no número 10 da Rua Los Reyes Católicos, em San Sebastian, na década de 1940, é um dos mais icónicos, antigos e dos mais simples.

The Book Of Pintxos, de Marti Buckley desvenda 70 receitas deste tesouro do País Basco. Cada um apreciará aquele para o qual o palato se inclina, mas a degustação celebrada em pequenas dentadas obedece a um ritual. O mapa das regras sagradas para o apreciar está acessível em ampla produção literária na internet.

De pé, na barra, é o mandamento número um. Ninguém deve permanecer acabrunhado à espera de uma nesga de espaço para chegar ao balcão, local de onde saímos, por norma, acompanhados de uma nova amizade a caminho da próxima barra. Há que dar asas à circulação e provar a “especialidade” de cada número de porta.

Pintxo de boi e uma simples Gilda num ambiente dos anos 20 

No País Basco há que ser basco e o 24noticias seguiu esse mandamento em Bilbau. Três paragens, três barras distintas, três pintxos de cada vez.

Inaugurado em 1871, vizinho da Bolsa de Valores de Bilbau, o antigo Café Boulevard passou, ao longo de sua história, por reformas, a mais notável no final de 1920. O estilo Art Deco definiu a sua identidade visual por décadas que perdura no tempo através dos vitrais, molduras, espelhos, colunas e mesas de mármore.

Após mudanças de endereço, encerramentos e reaberturas, o envidraçado que  testemunhou a vida da cidade por mais de um século reabriu sob o nome de Aitaren Boulevard,(Rua do pai, na tradução para português).

Respira-se aqui os loucos anos 20 num espaço de culto de carne de boi. De pé, levámos o pão à boca. Por três vezes. Croquete de boi guisado (pintxo croqueta guisado de buey), gyoza de boi e a típica Gilda. Vinho, cerveja ou a tradicional sidra acompanharam a pilha nutritiva empilhada em palitos, posteriormente, jazidos no prato.  

Unai Manzanos, guia que acompanhou o 24noticias na terra que deu origem ao livro (e série) “Pátria”, de Fernando Aramburu, enriquece a narrativa ao falar de Robert Capa, repórter fotográfico que perpetuou a Guerra Civil espanhola numa lente.

De pé onde Frank Gehry esteve sentado

A táctica de quem vive e mostra a cidade é uma. Não “é para ficar num só sítio”, reforça o guia. Segunda prova de pintxos. Víctor Montes, no número 8 da Plaza Nueva. Menu composto por pastel de massa folhada de linguiça (hojaldre de txistorra), cogumelos teriyaki (brocheta de champinones al teriyaki) e lula frita (txipirón frito).

Na fusão de tradicional e cozinha avant-garde, não faltam prémios a Víctor Montes.

Três Eguzkilores (equivalente a estrela Michelin), máxima distinção de cozinha em miniatura, colocam-no na grelha de partida das melhores barras de pintxos de Euskal Herria. Recebeu ainda o Solete Guía Repsol 2024  e o Premio del Público no I Concurso de Pintxos Veganos del Casco Viejo (2021), com um criativo “seitan com cogumelos” feito com diversas variedades de fungos.

Abriu portas em 1849 como loja especializada em chocolates, especiarias, vinhos e produtos gourmet, algo incomum e vanguardistas para a época e difíceis de encontrar na gastronomia basca da altura. A fachada do século XIX perdura.  Tal como aconteceu à própria cidade, o momento decisivo na história de Víctor Montes ocorreu em 1983, coincidindo com as devastadoras inundações que afetaram Bilbau durante a Semana Grande.

Palco do evento histórico que sentou Frank Gehry numa das suas mesas, viria a servir de testemunha e participante ativo da revolução arquitetónica em redor.

O guia, Unai, chama atenção para a “fotografia de Gehry” imortalizado no Passeio da Fama a par com Príncipe Alberto de Mónaco, Oliver Stone, Jeremy Irons, Bono, Dennis Hopper e Gwyneth Paltrow, dispersos por uma galeria fotográfica que adorna as escadas que conduzem ao piso superior que levam à sala de jantar.

E entre um piso e outro, sobressai uma coleção única de vinhos e uísques cuidadosamente preservados desde o início de vida do espaço.

Gratinados de caranguejo em ambiente pop 

A terceira paragem no tour dos pintxos fica a sete números de distância na mesma praça (Plaza Nueva 1) no coração histórico de Bilbau.  O El Globo , inaugurado este ano (há um outro, aberto desde 1997, na Calle Diputación 8), oferece uma barra mais jovial e uma das mais premiadas.

Embrulhado num decoração pop, ostenta três estrelas Eguzkilores e foi consagrado, a par do Víctor Montes, na 5.ª edição Concurso de Pintxos Veganos do Casco Viejo de Bilbao, prova organizada pela Associação de Comerciantes do Casco Viejo.

Em cada porta que se entra não se pode virar as costas à especialidade da casa. Fiéis a este mandamento, agarramos o pintxo de caranguejo gratinado (gratinado de txangurro), crustáceo com honras de decoração. Um rolo de salmão (roll de salmon) antecipa o doce remate final de pão de leite com manteiga (bollito de mantequilla).

Teatro, mercado, café histórico e um metro de assinatura 

Após três provas, espaço para a digestão num passeio noturno pelo centro de Bilbau,

No roteiro até ao hotel The Artist – Grand Hotel of Art abraçamos as duas margens do rio Nervión.

Pelo caminho, o Teatro Arriaga e o muito frequentado e centenário Café Iruña (1903), vizinho do Guggenheim, a curta distância da casa onde nasceu Sabino Arana, fundador do Partido Nacionalista Basco, atual sede do PNV. Foi considerado o Mejor Café de España 2000, prémio atribuído pela prestigiada “Café Crème Guide to the Cafés of Europe”.

Na reinvenção de Bilbau através da arquitetura cabe ainda a rede de metropolitano. A infraestrutura celebrou 30 anos em novembro e tem a assinatura de Norman Foster em evidência na parte mais visível do metro, nas estações de rua, os forestitos, originais cavernas de aço e vidro à superfície comparadas às entradas de art nouveau de Guimard, no metro de Paris.

Num caminho pedonal ao longo rio Nervión tropeçamos no Mercado de la Ribera, estrutura art nouveau à beira-rio, um dos maiores mercados cobertos da Europa, em pontes históricas (Arenal) e outras modernas e contorcidas (Zubizuri).

Vieira da Silva: a segunda portuguesa na galeria de titânio

Arte de Maria Helena Vieira da Silva
créditos: 24notícias

Localização é tudo e o hotel inspirado em Javier Mariscal, designer do desenho do Cobi, mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, não poderia ter a melhor.  Tem o Guggenheim a seus pés, testemunhado da janela do quarto (5.º piso) virado para o rio, com vista saciada à mesa do pequeno-almoço (7.º piso).

Às portas da obra de Frank Gehry, um íman de entusiastas de arte de todo o mundo,  está o obediente e inamovível Puppy de Jeff Koons, ex-marido de Ilona Staller (conhecida como Cicciolina, antiga deputada italiana e atriz de filmes pornográficos).

O jardim suspenso em forma de cachorro, um West Highland Terrier gigante, reveste-se de mais de 30 mil flores e muda de pelagem em maio e outubro.

Nas traseiras, à beira-rio, a estática aranha de 9 metros de altura, batizada de Mamã. Da escultora Louise Bourgeois, é uma homenagem à sua mãe, tecelã, e uma alegoria à força e fragilidade da maternidade.

Dentro do Guggenheim a obra de Richard Serra “The Matter of Time” permanece fixa, enquanto outras apresentam-se temporariamente, Mark Leckey – And the City Stood in Its Brightness (14-11-2025 a 4-12-2026) e Vieira da Silva, “Anatomia do Espaço”.  Sete anos depois de Joana Vasconcelos (2018), Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) é a segunda portuguesa exibida no Guggenheim. Julião Sarmento também integrou uma exposição “Homage to Chillida”, 2006, mas não a título individual.

“Anatomy of Space” viajou de Veneza (Itália), do museu Peggy Guggenheim Collection, antiga casa colecionadora.  Ao todo, reúne um espólio pictórico e abstrato de 70 obras provenientes de museus e coleções residentes no Centre Georges Pompidou, de Paris, MoMA, Nova Iorque, Tate Modern, de Londres e cinco pinturas da Coleção do Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM), Lisboa,  – La Rue, Le Soir, Le Héros ou Le Héraut, História Trágico-Marítima ou Naufrage, Personnages dans la rue e  L’aire du vent.

De apontamento biográfico, a exposição, patente de 16 de outubro a 22 de fevereiro de 2026, desenrola-se numa retrospetiva de vida e num usual percurso cronológico, da década de 1930 até ao final de 1980. Está repartida em oito secções temáticas.

A par da exposição, o Museu Guggenheim mostra a projeção de “VIEIRARPAD “, documentário de João Mário Grilo.

A ligação de Vieira da Silva ao apelido Guggenheim não é de hoje, conforme nota o Museu. A artista portuguesa esteve na exposição “31 Mulheres”, organizada por Peggy Guggenheim, em 1943, em Nova Iorque, na galeria-museu da colecionadora. E Solomon R. Guggenheim, fundador da Fundação Guggenheim, comprou, em 1937, a obra Composição, atualmente parte do fundo do Museu Guggenheim de Nova Iorque.

Há mais Bilbau para além do Guggenheim   

O Guggenheim Bilbao é hoje o terceiro museu mais visitado em Espanha com 1,3 milhões de visitantes por ano. Completa um dos vértices da promoção turística do País Basco, a par com a Concha de San Sebastian e a região dos Vinhos Rioja.

A cidade que o acolhe regista crescimentos de turismo interno e internacional, seja por terra, ar ou mar. Bateu recordes de aterragens (mais de 6,7 milhões, em 2024) e o terminal de Getxo, porto de Bilbau, registou o novo máximo de 95 escalas de cruzeiros (um único, em 1993) e 181 mil passageiros.

Mas o “efeito Bilbau” não fica preso aos painéis contorcidos do edifício “que mudou a cidade”, como nos conta o guia Unai Manzanos. O Museu de Belas Artes juntou os museus de Arte Moderna e de Belas Artes, em 1995. Não foi ofuscado pelo Guggenheim, antes beneficiou desta atração global.  A ampliação levada a cabo por Norman Foster, visível em 2026, recoloca o protagonismo no edifício original de 1945. Abriga uma coleção significativa de obras clássicas e modernas (El Greco, Picasso, Gauguin, Francis Bacon, Richard Serra e Vieira da Silva  e a pintura mais antiga de Bilbau, de autor desconhecido, propriedade de uns herdeiros de um comerciante inglês, John Seale, que viveu na cidade no final do século XVII.

No coração comercial e gastronómico da cidade, junto à praça de Indautxu, onde outrora funcionava um armazém de vinhos (1909) está o Azkuna Zentroa, centro cultural e de lazer, obra a cargo do francês Philippe Starck.

Atrás da fachada e de um par de colunas originais, 43 pilares do italiano Lorenzo Baraldi, sustentam o edifício multidisciplinar de 43 mil metros quadrados que se transforma numa praça onde cabe um cinema, auditório, mediateca, uma loja de designers bascos e piscinas no topo, à qual somos convidados observar os pés dos nadadores de recreio.

Pela rua, há 300 obras de arte públicas espalhadas. De cima para baixo, as atenções vão para o subsolo da Calle Iparragirre e na transparência dos “sete esconderijos de rochas e minerais retirados da província”, da autoria de Olafur Eliason.

A Farmácia Colón Bilbotika Museo é o museu mais pequeno de Bilbau. Sita na Rua Colón de Larreategui, mantém a fachada exterior, preserva móveis originais, funcionando como um espaço que honra a tradição farmacêutica da cidade.

Do passado, quase bicentenário (1830), viaja também a Pastelaria Martina de Zuricalday, a sexta geração, onde é obrigatório provar o pastel de arroz e a pastelaria Aresse (1852), famosa pelas trufas de chocolate.

Fora do roteiro, o 24noticias cumpriu um ritual. Bilbau respira futebol e o Athletic, a par com o Real Madrid e do FC Barcelona, são as únicas equipas que jogaram sempre na divisão maior do futebol espanhol. O clube tem “três lojas espalhadas pela cidade”, um das quais em pleno San Mamés, onde fomos em dia de jogo com o Real, catedral a que se acede por pela Calle Poza , rua de cor amarela que antecipa restaurantes e bares.

Uma subida no Funicular de Artxanda liga o centro de Bilbao ao Monte Artxanda onde outrora funcionou o casino e uma pista de gelo. Inaugurado em 1915, sobrevivente à Guerra Civil (danificado por bombardeamentos), a um grave acidente em 1976 e às inundações em 1983, é hoje um símbolo de engenharia e resistência da cidade.

O Museu Marítimo, o mais antigo, conserva diques e barcos históricos, e uma ida, pela ria ou de metro, até à praia ou uma surfada na tubular onda de Mundaca, fecham o programa de uma possível visita à pátria dos pintxos cuja face começou a mudar com o museu-peça-de-arte, mas que tem hoje mais de 70 razões para a visitar.

“Te respiré, Bilbao, y nos sentimos yo y tu hijo hermanos en bilbainía. Tuve un rato en mis manos su mano abandonada, y al despedirnos, para mí, me dije: hermanos somos todos los humanos, el mundo entero es un Bilbao más grande” – In “Rimas de dentro”, Miguel de Unamuno em 1908, publicado em 1923

 

O 24noticias viajou a convite do Turismo de Espanha 

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